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Crítica | O Preço de um Resgate: no lugar de Mel Gibson, você pagaria os sequestradores?

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O Preço de um Resgate: filme dirigido por Ron Howard DOSES GENEROSAS DE AÇÃO E AFLIÇÃO Sequestro é crime hediondo. Sequestro de uma criança, então, eleva a sordidez do criminoso à enésima potência! Um tal sequestrador renuncia à condição de humano e permite que o vejamos como um monstro, digno dos castigos mais atrozes que possamos arquitetar. O cinema já tratou do sequestro infantil em inúmeras produções, sempre explorando o turbilhão de dor e emoções envolvidos nesse tipo de história. O Preço de Um Resgate , filme de 1996 dirigido por Ron Howard, é mais um desses tantos, mas se destaca, porque foi realizado com notável competência. De milionário a pai desesperado: a trama           Trata-se de um remake do filme Decisão Amarga , de 1956, dirigido por Alex Segal. Nessa nova versão, Mel Gibson interpreta Tom Mullen, um milionário do setor de aviação que vive o ápice do sucesso. Sua mulher, Kate (Rene Russo), e seu filho, Sean (Brawley Nolte), desfrutam as ...

Crítica | Cães de Aluguel: Tarantino estreou com um filme original e inovador. Mas onde está a novidade, afinal?

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Cães de Aluguel: filme dirigido por Quentin Tarantino O ESTILO TARANTINO DE FAZER CINEMA De quais substâncias é feita uma novidade? Originalidade? Ineditismo? Singularidade? Quando Quentin Tarantino escreveu e dirigiu Cães de Aluguel , em 1992, seu filme exalava novidade; era diferente de qualquer outro já feito. Contava uma história brutal, mas o fazia com pitadas de humor, insinuando algo de improvisado e realizado com certo desleixo. Era uma obra que parecia não se levar a sério; lembrava mais um mero fragmento do verdadeiro drama policial que tentava narrar. Pensando fora da caixa           Cães de Aluguel é um filme sobre um assalto bem-sucedido, realizado por um bando de homens que não se conhecem. Acontece que a ação, envolvendo o planejamento e a execução do roubo, é solenemente  ignorada por Tarantino.  Nas mãos de um diretor convencional, esta parte da história seria tratada como a cereja do bolo e renderia cenas recheadas de suspe...

Um Sonho de Liberdade: o tema é a redenção!

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Um Sonho de Liberdade: filme dirigido por Frank Darabont UM FILME DE PRESÍDIO QUE NÃO EXALTA A FAÇANHA DA FUGA Redenção. Eis a palavra que falta no título adotado para esse filme aqui no Brasil  – e m Portugal, onde foi batizado de Os Condenados de Shawshank , a palavra também não aparece. Sua omissão rouba uma boa fatia de significado e nos leva a sentar na poltrona com a expectativa de acompanhar a saga de personagens ansiosos apenas por liberdade  –  palavra que também vem amputada de significados, já que soa pronunciada apenas como antônimo de cárcere. Entretanto,  Um Sonho de Liberdade , filme de 1994 dirigido por Frank Darabont, está longe de ser um filme de presídio feito, para exaltar a façanha da fuga. É um filme sobre... redenção!           Baseado no conto Rita Hayworth and Shawshank Redemption , escrito por Stephen King e publicado no livro Quatro Estações , o filme se tornou uma das mais celebradas produções do c...

Crítica | Meu Pai: Anthony Hopkins parece olhar a própria velhice!

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Meu Pai: filme dirigido por Florian Zeller UM QUADRILÁTERO QUE SE ESTABELECE ENTRE PERSONAGEM, ATOR, DIRETOR E ROTEIRISTA Quando estava na faculdade, certa vez recebemos na sala de aula o ator Paulo Autran para uma palestra. Ele era um monstro sagrado do nosso teatro e tinha a generosidade de falar aos estudantes de comunicação por onde passava. Nessas ocasiões, ele sempre dizia que “o teatro é a arte do ator e o cinema a do diretor. Já a TV é a arte do patrocinador”. Jamais esqueci essa tirada e fiquei com ela em mente enquanto assistia ao filme Meu Pai , de 2020, dirigido pelo francês Florian Zeller; pensei que estava vivendo uma experiência fronteiriça entre o cinema e o teatro, onde ator e diretor dividem o poder. O diretor adaptou sua própria peça          O filme  Meu Pai é sobre a demência que se apodera de um octogenário (e não é preciso dizer mais do que isso para se ter uma sinopse aceitável). O filme também é sobre transpor teatro para o cinema ...

Crítica | Radioactive: Rosamud Pike irradia carisma nesta cinebiografia de Madame Curie

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Radioactive: filme dirigido por Marjane Satrapi O BRILHO RADIANTE DE UMA ÓTIMA ATRIZ Foi muito fácil clicar no play para assistir ao filme  Radioactive , realizado em 2019 por Marjane Satrapi . Bastou olhar a imagem da atriz Rosamund Pike e ler na sinopse que se tratava de uma cinebiografia de Marie Curie. Empolgados, Ludy e eu nos preparamos para bons momentos de entretenimento. Enquanto os créditos iniciais ainda eram exibidos, chegamos a especular sobre o imenso potencial dramático de um filme sobre as descobertas científicas de tão renomada personagem. Sabemos só o que costuma cair na prova           A verdade, entretanto, é que sabíamos muito pouco sobre Madame Curie – o suficiente apenas para acertar as questões básicas nas provas do ensino médio. A personagem aqui apresentada, ganhou contornos claramente romanceados; surpreendeu pela personalidade forte e pela genialidade, mas também pelo forte senso de família e dedicação em viver uma inte...

Crítica | Ladrões de Bicicleta: o que esse filme continua nos ensinando?

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Ladrões de Bicicleta: filme dirigido por Vittorio De Sica NEORREALISMO NAS MÃOS DE UM DIRETOR COM TOTAL CONTROLE DA ESTÉTICA Quando assisti a Ladrões de Bicicleta , dirigido por Vittorio De Sica em 1948, foi no final dos anos 1970. Já era para mim, portanto, um filme velho – ao menos do ponto de vista de um estudante de 17 anos, hipnotizado pelo cinema vibrante que se fazia na época. Aproveitei uma mostra sobre o neorrealismo italiano apresentada no cineclube da minha escola; a sessão foi revestida com um certo verniz intelectual e teve direito a debate no final, além de entediantes e demoradas interpretações, eivadas de clichês ideológicos, sobre o alcance social da obra e blablablá...  Na saída, o que trouxe comigo foi a história tocante de um pai tentando fazer o certo e um filho de mãos agarradas ao exemplo, apertando o passo para alcançar o que pudesse aprender. Foco no indivíduo           Esteticamente, Ladrões de Bicicleta é uma obr...

Crítica | Eu, Robô: a revolução da I.A. é perigosa?

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Eu, Robô: filme dirigido por Alex Proyas O VISUAL É ARREBATADOR, MAS O RESULTADO LEMBRA APENAS VAGAMENTE AS HISTÓRIAS DE ASIMOV No cinema, Arthur C. Clark estava ganhando disparado de Isaac Asimov! Os amantes da ficção científica hão de convir: o primeiro foi eternizado por Stanley Kubrick com o brilhante 2001: Uma Odisseia no Espaço . Já o segundo, tinha que se contentar com o raso Viagem Fantástica , de Richard Fleischer. Queria que Asimov virasse o jogo e tentava imaginar como ficariam suas histórias de robôs transpostas para o cinema.  Então, veio Will Smith e produziu o filme  Eu, Robô , dirigido em  2004 por Alex Proyas. Infelizmente, não foi dessa vez! Faltou um pouco mais de Isaac Asimov             As peças de divulgação de  Eu, Robô  eram lindas e insinuavam uma concepção visual arrojada. Corri para o cinema, sem pestanejar. Mergulhei em uma produção caprichada, repleta de efeitos visuais arrebatadores e com uma narra...