Postagens

Crítica | Eram os Deuses Astronautas?: o famoso documentário com supostas provas de que já fomos visitados por alienígenas

Imagem
Eram os Deuses Astronautas?: direção de Harald Reinl PORTA DE ENTRADA PARA OS DOCUMENTÁRIOS Quando  Eram os Deuses Astronautas?  foi lançado em 1970, este cinéfilo não passava de um pirralho de 10 anos. Foi a primeira vez em que assisti a um documentário. Nada de dramatizações em estúdio, de protagonistas heroicos ou de enredos costurados com pontos de virada surpreendentes; o que vi foram cenas reais irradiando verdade, apresentadas para sustentar um ponto de vista. E que ponto de vista! Baseado no livro escrito em 1968 pelo suíço Erik von Däniken, o filme sugeria que todos os nossos ancestrais, desde as civilizações mais antigas, não foram os autores das suas conquistas e legados; na verdade, seus feitos teriam sido realizados com a ajuda – ou por autoria direta – de visitantes extraterrestres! Fenômeno da cultura pop           Enxerguei uma encantadora aura de ficção científica ao redor de tanta especulação. E ela mexeu com a minha imaginação! ...

Nada de Novo no Front: jovens matando jovens numa guerra sem sentido

Imagem
Nada de Novo no Front: direção de Edward Berger ENFIM, UMA ADAPTAÇÃO ALEMÃ DESSE CLÁSSICO ANTIGUERRA O título do livro Nada de Novo no Front , escrito em 1929 por Erich Maria Remarque, tem ligação direta com seu epílogo. O protagonista, o recruta Paul Bäumer, encontra seu trágico destino alguns dias antes do término da guerra, de modo corriqueiro, num dia tão calmo que o relatório do exército se limitou a reportar que nada digno de nota acontecia no front de batalha. Tal ironia não é sequer citada no remake de Nada de Novo no Front , realizado em 2022 pelo diretor alemão Edward Berger; outras passagens do livro também são omitidas no filme, enquanto grande quantidade de detalhes são acrescentados livremente pelo diretor e seus corroteiristas, o que levou muitos críticos a questionar a qualidade dessa adaptação.          Edward  Berger, porém, traz vários argumentos para sustentar o posicionamento ousado que assumiu em seu filme; além da adequação às n...

Crítica | O Melhor Lance: Giuseppe Tornatore entrega seu primeiro filme falado em inglês e se rende ao imperativo digital. Arrasou!

Imagem
O Melhor Lance: direção de Giuseppe Tornatore NO AMOR E NA ARTE, O FALSO E O AUTÊNTICO SE CONFUNDEM Giuseppe Tornatore se tornou um dos nomes mais aclamados do cinema italiano. Seu Cinema Paradiso  arregimentou fãs incondicionais no mundo todo e o consagrou como cineasta sensível, habilidoso em lidar com as forças emocionais dos seus personagens. Sua parceria com o compositor Ennio Morricone, que rendeu nove longas e vários comerciais de TV, ajudou a consolidar seu estilo envolvente e fortemente agarrado às tradições do audiovisual italiano. Em 2013, quando realizou O Melhor Lance , acabou cercado de expectativas, tanto por parte da crítica como dos cinéfilos: seria seu primeiro filme falado em inglês! Mais que isso, seria seu primeiro filme digital! Longe da prosódia que dá sabor ao idioma italiano e sem a sensação tátil que nos chega vibrante por meio do celuloide, como Tornatore se sairia? Muito bem, devo dizer! Um drama com atmosfera de thriller       ...

Ran: épico sobre um senhor da guerra enlouquecido

Imagem
Ran: direção de Akira Kurosawa O CINEMA ENCONTRA SUA ELOQUÊNCIA NO VISUAL Convulsões políticas me põem angustiado. Elas me obrigam a refletir sobre essa falsa dicotomia entre o individual e o coletivo. Desde que fui apresentado à alteridade, ainda nas fraldas, aprendi a enxergar os indivíduos que me cercam. A coletividade, essa abstração enevoada, começou a tomar forma na adolescência, mas só ganhou nitidez em momentos específicos: a vibração da plateia num show de rock, as vestimentas da moda imperando nas vitrines, a explosão no momento do gol... Coletividade virou palavra de ordem para defender os interesses midiáticos.           A necessidade de fazer escolhas políticas também tenta abafar as manifestações individuais, ao nos atropelar feito manada de búfalos destrambelhados. Tenta, mas dificilmente consegue. É que somos indivíduos e lidamos com a realidade nas dimensões física, psicológica e espiritual. A coletividade só existe como somatória de indiví...

Crítica | Encontro Marcado: Martin Brest ignorou os interesses do estúdio e fracassou nas bilheterias. Entregou um filme longo demais

Imagem
Encontro Marcado: direção de Martin Brest FALTOU UM POUCO MAIS DE COMÉDIA O que poderia dar errado? Temos dois astros consagrados no auge da popularidade, que atuaram juntos em 1994 no sucesso Lendas da Paixão ; temos um diretor festejado em Hollywood, que contabilizou em 1992 o estrondoso sucesso comercial  Perfume de Mulher ; temos uma história charmosa, filmada originalmente em 1934 com o título  Uma Sombra que Passa ( Death Takes a Holiday ); e temos um verniz de dramaturgia com a peça La Morte in Vacanza , escrita em 1923 pelo italiano Alberto Casella. Esse histórico de sucesso, entretanto, de nada adiantou! Na época, os exibidores não gostaram          Q uando Encontro Marcado , filme de Martin Brest, foi lançado em 1998; o fracasso nas bilheterias deixou o diretor em maus lençóis com os executivos do estúdio – ele já havia estourado o orçamento e os  cronogramas e agora entregava um filme excessivamente longo, o que afastou os espectadores...

Independence Day: trazendo a fantasia para o mundo real

Imagem
Independence Day: direção de Roland Emmerich LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA, DURANTE O FERIADO AMERICANO Para quem vive na Região Sul, como é meu caso, o mês de julho tem as feições do inverno. As temperaturas baixas nos obrigam a tirar do guarda-roupa os casacos mais pesados e as bebidas quentes se tornam as mais apreciadas. Enquanto isso, lá no hemisfério norte, dá-se o oposto: o verão representa a cara das férias e da diversão; é quando a indústria do cinema aproveita para lançar seus filmes arrasa-quarteirão, na certeza de alcançar as maiores bilheterias. Naquele 2 de julho de 1996, a aposta vencedora foi Independence Day , dirigido por Roland Emmerich. Nunca a expressão arrasa-quarteirão – ou blockbuster , como preferem os anglófonos – foi tão bem empregada! Os trailers, exibidos à exaustão, mostravam a Casa Branca pulverizada por raios alienígenas e a cidade de Nova Iorque reduzida a escombros, num realismo desconcertante. Durante semanas, não se falou de outra coisa.     ...

Interestelar: um banho de ciência!

Imagem
Interestelar: direção de Christopher Nolan QUANDO CINEASTAS E CIENTISTAS TRABALHAM EM PARCERIA Há inúmeras maneiras pelas quais a vida pode se extinguir na Terra: erupções solares, mudanças no escudo magnético que nos protege da radiação cósmica, impactos de meteoros e cometas... Nosso planeta, da maneira como nos valemos dele hoje, está destinado a desaparecer. É questão de tempo. Portanto, se pretendemos continuar existindo, teremos que nos aventurar no espaço e encontrar outros mundos colonizáveis. Essa noção é o motor da epopeia humana em busca de conhecimento científico e, em última instância, da própria corrida espacial, que já nos legou importantes conquistas. É também o motor de vários filmes de ficção científica, que há décadas têm nos colocado íntimos do espaço sideral, seus perigos e desafios.           O gênero encontrou no cinema um suporte perfeito para se desenvolver. Enquanto a literatura, para misturar especulação científica, drama, ação, m...

Siga a Crônica de Cinema