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Crítica | A Condenação: Tony Goldwyn dá liberdade para seus atores e realiza um filme eloquente

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A Condenação: direção de Tony Goldwyn AINDA BEM QUE EVITARAM O MELODRAMA Certo, vamos partir do princípio de que não existe sistema judiciário perfeito. Aliás, no campo das ciências humanas, falar em perfeição é um atrevimento; mais apropriado é avaliar os sistemas de justiça pela sua eficácia. O que esperamos deles? Que garantam o cumprimento das leis e protejam os cidadãos da interferência dos poderosos, dos agentes políticos e dos governos. Acontece que, vez ou outra, algumas partes interessadas – como a polícia, o sistema prisional, a mídia, grupos de pressão e tantos outros agentes sociais – conseguem manipular o sistema na surdina; imparcialidade e independência deixam de existir e isso faz com que a eficácia caia por terra. O sistema de justiça decide de forma... injusta! Os danos são irreparáveis, pelo menos até o momento em que alguém consegue encontrar o erro e corrigi-lo. O filme é baseado em fatos           A Condenação , filme de 2010 dirigido ...

Crítica | Stillwater: Em Busca da Verdade: Tom McCarthy envereda pela a ficção, mas tenta manter os pés na realidade

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Stillwater: Matt Damon é usado como isca comercial FICÇÃO CERCADA DE REALIDADE Um americano vai para Marselha, na França, onde a filha está presa por um assassinato que não cometeu, procurar provas que possam inocentá-la. Essa curta sinopse já tem poder suficiente para fisgar qualquer cinéfilo ávido por entretenimento; e quando percebemos que o tal pai resoluto é interpretado por ninguém menos do que Matt Damon, o astro de Hollywood calejado nos filmes de ação, só nos resta esfregar as mãos de felicidade e apertar o play sem pestanejar.           O problema é que  Stillwater: Em Busca da Verdade , dirigido em 2021 por Tom McCarthy, está longe de ser um filme de ação; não segue a cartilha dos thrillers, nem se dedica a cultuar aquele tipo de personagem durão e infalível, que resolve suas pendengas com tiros e pancadaria. É um drama, que na maior parte do tempo transita pelo mundo interno dos seus personagens. Não que isso seja um problema; ao contrário,...

Minha opinião sobre... a liberação da maconha!

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É SÓ MAIS UM INSTRUMENTO DE CONTROLE SOCIAL Sou contra as drogas. Quando faço tal afirmação, sei que vai aparecer algum provocador e perguntar:           – As lícitas ou as ilícitas?           Esse tipo quer deixar implícita a noção de que álcool e tabaco também são drogas, mas a sociedade hipócrita as aceita porque “há todo um aparato capitalista que se beneficia da sua comercialização”. Com a perguntinha retórica, o sujeito também tenta colocar a maconha no mesmo patamar de periculosidade e abre um sorriso no canto da boca, crente que encontrou o argumento definitivo pela descriminalização do seu uso recreativo.           Antes de enveredar pelas ruelas dessa discussão, gosto de deixar claro o porquê da minha recusa em consumir drogas – todas as drogas! Elas alteram meu estado de consciência, tiram de mim o controle da minha criatividade e matam a minha individualidade, na medida em provocam as m...

Crítica | Anatomia de uma Queda: Justine Triet acerta em cheio nesse drama psicológico repleto de cenas magistrais

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Anatomia de uma Queda: direção primorosa de Justine Triet É TUDO QUESTÃO DE NARRATIVA! Trogloditas ao redor da fogueira, abrigados em alguma caverna providencial, já exercitavam as complicações da narrativa. Entre tentativas de influenciar decisões, apresentavam diferentes versões dos fatos. Já se mostravam exímios contadores de histórias. Continuamos a tradição e fomos além. Aperfeiçoamos os meios de comunicação e ampliamos nossas capacidades expressivas; hoje, nosso mundo se tornou uma complexa construção de histórias. Não é exagero afirmar que, para muitos, abraçar uma narrativa tornou-se mais palpável do que abraçar os fatos. Esses são, normalmente, mais espinhosos do que aquela!           Mas onde fica, afinal, o nascedouro das narrativas? De onde elas brotam por primeiro, para inundar o nosso entendimento da realidade? Em seu filme Anatomia de uma Queda , que dirigiu em 2023, a cineasta francesa Justine Triet traz uma resposta na ponta da língua: elas...

Crítica | O Homem do Castelo Alto: série imaginativa e bem produzida, mas é para os espectadores atentos

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O Homem do Castelo Alto: série criada por Frank Spotnitz PERSONAGENS BEM CONSTRUÍDOS, METIDOS NUMA JORNADA DESAFIADORA Você já pensou como o mundo seria tenebroso caso os nazistas e fascistas tivessem saído vencedores da Segunda Guerra Mundial? Philip K. Dick já perdeu noites de sono a imaginar os infelizes desdobramentos dessa péssima ideia. Escritor talentoso, tornou-se um dos principais nomes da ficção cientifica, tendo escrito Blade Runner , Minority Report , O Vingador do Futuro , O Vidente e Os Agentes do Destino , entre tantos outros livros que resultaram em adaptações para o cinema. Quando publicou O Homem do Castelo Alto , em 1962, provocou a imaginação do público; descreveu como as potências do Eixo poderiam ter derrotado os Aliados, conquistado definitivamente a Europa e ocupado os Estados Unidos.           No romance de Philip K. Dick, o infortúnio da humanidade começa quando Franklin D. Roosevelt é assassinado em 1933; seus sucessores não cons...

Crítica | Ficção Americana: Cord Jefferson faz um elegante exercício de cinema e acerta logo no seu primeiro longa

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Ficção Americana: dirigido por Cord Jefferson CINEMA ENVOLVENTE, ELEGANTE E INTELIGENTE Com o olhar difuso, miro algum ponto focal dentro da minha mente e bebo outro gole de café. Tal gesto mecânico denuncia: opero no modo divagação, enquanto tento preencher a tela em branco do computador. Desta vez, meu esforço é para compreender os fatores críticos que me trouxeram até aqui e determinaram a vida que levo; que estabeleceram quem sou, o que tenho, o que posso, o que me resta... Gostava de pensar que a minha inteligência está no ponto zero; a partir dela, tudo o mais se deriva: meus desejos, meus humores, meus amores, minhas capacidades, meus talentos... Em razão disso, cultivar conhecimento e exercitar os neurônios sempre foram essenciais no meu modo de vida.           Com a idade, percebi que nem todos se medem pela mesma régua. Alguns elegem a fé como ponto zero, outros, escolhem a sensualidade. Há quem considere mais importante ter e exercer o poder, que...

Campeões: um remake à altura do original espanhol

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Campeões: direção de Bobby Farrelly AUTÊNTICOS, DESCOLADOS E HILÁRIOS – Ora, isso vai ser politicamente incorreto! Ou não? Talvez caia na lacração! O que acha de apertar o play e conferir?           – Já topei! – Ludy não ligou para minha hesitação. Sentiu-se à vontade com a foto promocional de Campeões , filme de 2023 dirigido por Bobby Farrelly, com o qual tropeçamos no serviço de streaming . Minha mulher se deixou levar pela curta sinopse e pela promessa de assistir a uma comédia leve e engraçada. Quanto a mim, impliquei com o nome do diretor, um dos irmãos Farrelly, responsáveis por comédias escrachadas de grande sucesso, mas contaminadas de besteirol, como Debi & Loide , Quem Vai Ficar com Mary? e Eu, Eu Mesmo & Irene . Se bem que seu irmão, Peter, já havia feito uma incursão bem-sucedida pelo universo dos filmes mais... sérios, ao dirigir o excelente Green Book: O Guia . Talvez Bobby tivesse gostado da ideia! Mais um remake hollywoodiano de ...

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