Dois Papas

PERSONAGENS MIDIÁTICOS? GENTE DE CARNE E OSSO? AQUI HÁ ESPAÇO PARA TODOS ELES


Dois Papas: dirigido por Fernando Meirelles

        Quando estamos em Sampa, visitando nossa filha, o Parque Água Branca é onde Ludy e eu costumamos caminhar. É um sobe e desce exaustivo, mas o ambiente tranquilo estimula nossas conversas e nos põe a divagar. Hoje cedo, começamos discutindo estratégias para perder o peso ganho no final do ano, mas, quando nos demos conta, já estávamos falando sobre os Dois Papas:
        – A melhor cena do filme é quando eles dividem aquela pizza marguerita deliciosa – sentenciei.
        – Você só ficou impressionado porque a pizza era quadrada – zoou Ludy.
        Exageros à parte, Fernando Meirelles nos brindou com um filme envolvente, salpicado por algumas cenas banais que só fizeram ressaltar quão extraordinários são seus personagens: dois homens à frente do catolicismo, reinando no centro do mundo. Um prefere Fanta Laranja, outro precisa de ajuda para usar o Wi-Fi. Um gravou peças musicais no mesmo estúdio dos Beatles, outro enche a boca quando fala de futebol.
        Esses recursos narrativos fisgam o expectador e trazem a sensação de estar espiando a intimidade de celebridades que, de repente, se expõem em carne e osso, feito gente comum. Para tanto, o ótimo trabalho dos atores foi decisivo. Com a naturalidade de quem está participando de uma edição do Big Brother, se envolvem em diálogos longos e muito bem construídos, ambientados num Vaticano deslumbrante – a Capela Sistina, iluminada como nenhum turista jamais viu, é de babar!
        Anthony McCarten, que também escreveu o roteiro de A Teoria de Tudo e de Bohemian Rhapsody, soube dosar os atributos de cada personagem – carisma de um lado e agudeza intelectual do outro. Soube também transformar a mídia num dos personagens importantes do filme, costurando uma narrativa ágil é verossímil. Fernando Meirelles parece ter se deliciado com as mágicas digitais. Mesclou cenas reais com encenações sobre telas verdes, a ponto de não nos deixar distingui-las. Usou a câmera de forma gestual e se valeu de diferentes formatos de tela para situar o expectador ao longo de toda a narrativa.
        Em Dois Papas, o domínio da linguagem do cinema é brilhante! Mesmo sabendo como a história vai terminar, o expectador segue encantado até o final do filme, conduzido com segurança e sem se perder no meio do caminho. As cenas que todos gostaríamos de ver – Como Bergoglio abraçou a fé católica? Como reagiu quando descobriu que poderia ser o novo Papa? Como o clero assimilou seu estilo de liderar? – estão todas lá, apresentadas com respeito e bom humor.
        Os católicos se reconhecem no filme. Os não católicos não precisam armar o espírito para o embate teológico. Os de direita não precisam erguer bandeiras, os de esquerda não precisam bradar reivindicações. Ninguém precisa questionar crenças e convicções para apreciar Dois Papas, um filme divertido, que nos captura com facilidade e entretém por praticamente duas horas.
        Qual é o problema desse filme, então? Bem... Ele surge assim que começam os créditos finais: dá uma vontade de comer a tal pizza quadrada, com aquele molho de tomate delicioso e aquela massa italiana, que deve ser de fermentação lenta... Alguém sabe dizer onde encontro uma pizza dessas?



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Comentários

  1. Humm! Pizza italiana! Molho, mussarela (da boa) e manjericão! Não precisa de mais nada... Aqui em São Paulo você encontra umas assim, só vai faltar a Capela Sistina. Rsrs

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  2. Hummm... em SP, tem pizza muito boa, mesmo! Concordo com a Julia... rsrsrs...
    Assistimos o filme e, realmente, o Meirelles conseguiu deixar o filme bem humano, mostrando que, independente da função de Papado, existe a pessoa humana ali, administrando os contraditórios, vivendo a mundaneidade e a evolução de seus próprios conceitos e paradigmas. Excelentes comentários, Fábio!

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  3. Legal, Vanilza! Elogiar filmes bons é fácil!!!!

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