Casanova de Fellini



Casanova de Fellini: um artista sem limites
Graças aos efeitos visuais com tecnologia digital, o cinema atualmente é capaz de recriar qualquer realidade. Mentira! O cinema sempre foi capaz disso. Nunca houve limites para os grandes cineastas!
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            Quando assisti a Casanova de Fellini, compreendi que o cinema não é um jovem de pouco mais de 120 anos. É um senhor experiente, que bebeu na fonte do teatro, da ópera, do circo... Jamais esqueci deste mar revolto criado em estúdio. Fellini realizou esse filme em 1976, partindo da autobiografia de Giacomo Casanova, mas carregou nas tintas.
            Para contar as aventuras sexuais do escritor italiano que construiu a reputação do amante latino, o diretor chamou um... anglo-saxão! Donald Sutherland está irreconhecível nesse filme. O ator foi guiado com mãos de ferro por Fellini, que preferiu caracterizá-lo não como um grande amante, mas como um personagem com viés cômico, entristecido porque vaga à mercê do destino e dos seus instintos sexuais.
            Confinado nos estúdios da Cinecittá, Casasona de Fellini tem uma configuração teatral, mas é cinema em estado puro. Inovador, ousado, autoral... Uma obra de referência para quem quer entender os caminhos da sétima arte. Ah, e uma curiosidade: o filme esteve presente no Óscar de 1977. Apareceu entre os indicados, concorrendo como melhor roteiro adaptado e ainda ganhou a estatueta de melhor figurino. Quem se saiu melhor naquele ano foi Rocky, o Lutador, dirigido por John G. Avildsen, levou as estatuetas de melhor filme e melhor diretor.

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