La La Land - Cantando Estações

UMA HOMENAGEM AOS GRANDES MUSICAIS, MAS COM UMA ATMOSFERA CONTEMPORÂNEA



La La Land - Cantando Estações: filme dirigido por Damien Chazelle

        Pegue uma história e a dramatize por meio de encenações coreografadas, ao som de composições que unem canto e música instrumental. O resultado é... ópera! Sim, os musicais do cinema nasceram em berço nobre! Antes mesmo de ganhar voz, o cinema já empregava músicos nas salas de exibição para emular os espetáculos operísticos. Mais tarde, a criação de trilhas sonoras serviu de trincheira para músicos eruditos que batalhavam para sobreviver. Hoje, sem uma música elaborada não se narra um bom filme. Ela vem para enfatizar a imagem, criar ambientação e conduzir nossas emoções.
        Com o passar das décadas, os grandes musicais foram perdendo apelo comercial e espaço no circuito de exibição. Até que Damien Chazelle, que também dirigiu Whiplash, fincou o pé e conseguiu realizar La La Land – Cantando Estações em 2016. Para narrar o romance entre um pianista de jazz e uma aspirante a atriz, que perseguem o sonho do estrelato numa Los Angeles feérica, o diretor buscou inspiração nos grandes musicais dos anos 50 e 60. Porém, ao mesmo tempo, trouxe uma aura de modernidade irradiada por meio da atitude contemporânea dos seus personagens.
        Além de servir de apelido para Los Angeles, la la land é termo usado pelos americanos para descrever o estado mental de quem vive alienado da realidade, deslumbrado com o mundo dos sonhos. É justamente na onírica meca da sétima arte que os aspirantes a estrelas cantam, dançam e interpretam, carregando o peso de décadas de cinema! Isso é mostrado logo na abertura, quando Chazelle ousa um longo plano sequência executado com grande apuro técnico. A trilha sonora assinada por Justin Hurwitz é envolvente e memorável.
        Emma Stone e Ryan Gosling estão ótimos nos papeis principais. Ainda que atores consagrados, não são reconhecidos como cantores, o que impôs a eles um certo desconforto. Isso acrescentou personalidade na hora de interpretar aspirantes ao estrelato. Na cerimônia do Óscar, o filme arrasou. Foram 14 indicações, e seis estatuetas: melhor diretor, melhor atriz, melhor trilha sonora, melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor canção original (City of Stars).
        La La Land – Cantando Estações, conversa muito bem com os jovens que aspiram oportunidades e tentam encontrar seu lugar ao sol nas profissões que escolheram seguir. Que procuram uma voz para expressar a própria identidade e suas emoções. Que precisam vencer as inseguranças e se mostrar confiantes. Esse foi um dos motivos que me levou a ilustrar essa crônica com um vídeo onde minha filha interpreta a canção City of Stars enquanto se acompanha no ukulele. O outro motivo foi escancarar minha vocação de pai-coruja! Deixo-os com o ponto de vista da Julia!





Fabio Belik é autor do livro Ventania

Um romance com sotaque de cinema. Em 278 páginas narra a história de Daniel, um garoto de 9 anos que em 1969 se vê às voltas com o abandono, vivendo momentos de amadurecimento e superação. À venda no Clube de Autores.



Filme: La La Land – Cantando Estações


Ano de produção: 2016
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend, Rosemarie DeWitt, Finn Wittrock e J.K. Simmons


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