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Crítica | De Olhos Bem Fechados: Stanley Kubrick nos leva numa jornada erótica, onírica e fantasiosa e faz filme para a posteridade

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De Olhos Bem Fechados: direção de Stanley Kubrick SEXO, MELANCOLIA E VAZIO EXISTENCIAL Em vida, Stanley Kubrick permaneceu confinado ao século XX; concluiu seu último filme, De Olhos Bem Fechados , em 1999, cinco dias antes de sofrer um ataque cardíaco letal. Sua odisseia criativa, entretanto, o levou a visitar outros séculos, enquanto estabelecia os mais altos padrões de excelência para o fazer cinematográfico. Assistir ao seu filme de despedida – só os espectadores têm consciência dessa condição, já que o cineasta não dava qualquer sinal de que pretendia baixar a guarda – é também um exercício de nostalgia; ficaremos em definitivo sem seus planos geometricamente precisos, seus movimentos de câmera calculados, seus cenários minuciosos, sua iluminação controlada fóton por fóton, sua habilidade em usar a música erudita... Stanley Kubrick fez cinema para a posteridade e seus filmes ainda têm muito a dizer para os cinéfilos do século XXI. De olhos Bem Fechados: Kubrick recrutou o casal ma...

Crítica | Eden: Ron Howard faz um thriller habitado por personagens dissimulados, complicados e desagradáveis. Ainda assim emociona e faz pensar

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Eden: direção de Ron Howard PARA SOBREVIVER, É PRECISO LUTAR CONTRA A NATUREZA HUMANA O diretor Ron Howard tem uma carreira marcada por filmes memoráveis, como Rush - No Limite da Emoção , A Luta Pela Esperança , O Preço de um Resgate , Uma Mente Brilhante e Era uma Vez um Sonho . Quando vi seu nome na direção de Eden , filme realizado em 2024, já fiquei motivado a apertar o play; a empolgação aumentou quando reparei no elenco estrelado que ele conseguiu reunir: Jude Law, Vanessa Kirby, Daniel Brühl, Sydney Sweeney e Ana de Armas! Apostei todas as fichas que encontraria bom entretenimento e não me arrependi. Mais do que suspense barato           Devo alertar que Eden é um filme incomum na cinematografia de Ron Howard. É um thriller de suspense perturbador e sinistro, diferente do que assistimos em seus filmes com apelo comercial; é baseado em uma história real, mas mergulha nos demônios internos de oito personagens multifacetados, que estão em luta, tenta...

Crítica | Missão Impossível: Brian De Palma filmou um ótimo roteiro e resgatou os pontos fortes da antiga série de TV. Virou franquia milionária!

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Missão Impossível: direção de Brian De Palma UMA FÓRMULA IRRETOCÁVEL O primeiro filme da franquia Missão Impossível , dirigido em 1996 por Brian de Palma, surgiu como um feito narrativo; trouxe para a tela grande a mesma atmosfera que respirávamos na telinha da TV dos anos 1960. Comparado aos longas mais recentes, onde Tom Cruise se exibe dispensando dublês em ousadias cada vez mais espetaculares, é mais lento e cadenciado; ainda que repleto de ação e emoção, tem o ímpeto menos afoito, próprio dos clássicos filmes de espionagem. Vale a pena recapitular a sinopse: Realizando proezas espetaculares           O que acompanhamos é a história de Ethan Hunt (Tom Cruise), um jovem agente secreto que faz parte da equipe da IMF (Impossible Mission Force), chefiada por Jim Phelps (Jon Voight). Durante uma missão em Praga, quando tentavam evitar o roubo de uma lista com as identidades de todos os agentes secretos da CIA na Europa, seus colegas são assassinados. Ethan é...

Crítica | Tron: Ares: Joachim Ronning conseguiu rejuvenescer o visual dos primórdios da CGI, em mais um filme de ação desenfreada

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Tron: Ares: direção de Joachim Rønning NO CINEMA, O IMPERATIVO VISUAL JÁ NÃO É O MEMSMO! Esse terceiro filme da franquia Tron , intitulado Tron: Ares  dirigido em 2025 por Joachim Rønning, é uma produção endinheirada, que se confunde com todas as outras geradas no universo dos super-heróis. Este cinéfilo criterioso já não estava interessado em conferir, mas por uma conjunção de fatores afetivos – um delicioso programa de fim de semana com toda a família é para ser aproveitado ao máximo –, decidi encarar; e devo reconhecer que não me arrependi! Vale pelo entretenimento           Numa sala de cinema IMAX, diante da enormidade da tela e do som estrondoso, o filme encontrou sua razão de ser: Tron: Ares é um filme de ação ágil e descomplicado, que só deseja entreter, ainda que os realizadores tentem nos fazer enxergar um certo verniz tecnológico e... filosófico! Antes de seguir com o raciocínio, deixe-me lembrar da sinopse: Tron: Ares: Joachim Ronning dirig...

Crítica | O Contador: Gavin O'Connor aproveita a oportunidade de explorar um protagonista inusitado e entrega um entretenimento ligeiro e divertido

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O Contador: direção de Gavin O'Connor UM PROTAGONISTA MORALMENTE AMBÍGUO, PORÉM CARISMÁTICO Contadores são metódicos, compenetrados e rigorosos.   Conheci alguns deles – fui cliente de uns e prestei serviços de publicidade para outros. Todos pareciam  limitados a suas especialidades e continham seus impulsos criativos em favor da certeza matemática. Mas espere aí! E se estiver sendo preconceituoso? E se a estampa de cidadão comum não passar de mero disfarce? Um artifício para ocultar as façanhas de um tipo heroico e superpoderoso, que age nas sombras para combater os vilões? Ah, basta juntar o título do filme com a foto do protagonista, interpretado por Ben Affleck, para deduzir: é isso mesmo que os realizadores de   O Contador , dirigido em 2016 por Gavin O'Connor,  querem que você pense! E funciona! Um filme de ação para o circuito comercial           O Contador foi feito para oferecer entretenimento ligeiro, mas tem qualidades que o ...

Crítica | Barry Lyndon: para filmar a trajetória de um anti-herói abjeto, Stanley Kubrick eliminou o humor do romance original. Preferiu o drama e acertou em cheio!

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Barry Lyndon: direção de Stanley Kubrick UM FILME PARA SER VISTO E OUVIDO Depois de Laranja Mecânica , Stanley Kubrick trouxe ao mundo Barry Lyndon , filme que ele escreveu e dirigiu em 1975. Muitos cinéfilos costumam lembrar dessa obra por seu visual deslumbrante, criado a partir de um notável esforço técnico, que mobilizou fotógrafos, iluminadores e alguns dos maiores especialistas em equipamentos óticos, para capturar tão somente a luz natural e a obtida com a ajuda de velas e candelabros. Assistir a esse filme, porém, é um exercício que ultrapassa as fronteiras do campo visual; fortalece a nossa musculatura narrativa e a nossa compreensão da linguagem cinematográfica. Belezas externas e feiuras internas           Barry Lyndon é, certamente, um dos mais belos filmes já realizados, mas também se abre para as feiuras de um protagonista que beira o abjeto; ambicioso, ingênuo e determinado a cultivar sua ignorância, ele se põe em movimento apenas para alcan...

Crítica | O Dorminhoco: ainda bem que descongelaram o judeu novaiorquino neurótico errado! Inundaram o filme com piadas politicamente incorretas

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O Dorminhoco: direção de Woody Allen UM OLHAR NOSTÁLGICO PARA O FUTURO Nesses dias surrados de tanta pós-modernidade, os humoristas pisam em ovos. Tentam aliviar o peso exorbitante das regras de etiqueta e fazem um humor cauteloso, insosso e genérico.  Há meio século, o cardápio era outro: ácido, provocativo, espontâneo, constrangedor, zombeteiro... Exatamente como podemos degustar em O Dorminhoco , filme de 1973 dirigido por Woody Allen – o quarto filme realizado pelo diretor, numa época em que estava empenhado apenas em ser reconhecido como um dos melhores comediantes americanos. Um distopia futurista hilariante           O Dorminhoco é uma comédia farsesca, que flerta abertamente com o pastelão, mas vem salpicada com uma infinidade de piadas inteligentes, disparadas em ritmo veloz. A história é ambientada no futuro e mostra como Miles Monroe (Woody Allen), um clarinetista amador que se reveza entre o jazz e a administração da sua loja de alimentos ...

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