Crítica | O Escritor Fantasma: Roman Polanski faz um thriller de suspense com toque noir e esbanja fluência narrativa
O Escritor Fantasma: dirigido por Roman Polanski |
SUSPENSE, POLÍTICOS E, É CLARO, CORRUPÇÃO!
Roman Polanski sabe o que faz e sempre merece atenção. Seu filme O Escritor Fantasma, realizado em 2010, é uma retomada do diretor ao universo dos thrillers de suspense. Tem pitadas de cinema noir e uma trama sobre políticos e como eles inevitavelmente se metem com a corrupção. É uma produção vistosa, muito mais pelo esmero na concepção visual do que pela dotação orçamentária. Traz uma narrativa elegante e envolvente, onde o diretor se diverte ao lidar com as convenções do gênero, mas também tem o cuidado de ultrapassá-las para surpreender o espectador.
Um escritor correndo perigos
O filme nos conta a história de um escritor inglês, interpretado por Ewan McGregor, que atua como ghost writer de celebridades e artistas da cultura pop. Por intermédio do seu agente, Rick Ricardelli (Jon Bernthal) nosso herói é contratado para completar o livro de memória do ex-primeiro ministro britânico Adam Lang (Pierce Brosnan), cuja escrita estava paralisada, já que o ghost writer anterior aparecera morto em circunstâncias suspeitas. Em pouquíssimo tempo o nosso protagonista sem nome deixa Londres e vai para os Estados Unidos – mais precisamente para uma mansão exuberante em Martha's Vineyard, no estado de Massachusetts.Gosta de analisar os filmes em profundidade?
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O Escritor Fantasma: Roman Polanski retorna aos thrillers de suspense
Nosso gost writer passa a trabalhar dentro de rígidos protocolos de segurança, para cumprir um cronograma apertado. É claro que ele se envolverá com a mulher de Lang, a atormentada Ruth (Olivia Williams). É claro que deixará a curiosidade sobre o que aconteceu com seu antecessor interferir no trabalho. É claro que o ex-primeiro ministro tem segredos comprometedores... Em pouco tempo o escritor fantasma está envolvido em uma trama arriscada, onde sua própria vida estará em perigo.
Uma adaptação inteligente
O Escritor Fantasma é uma adaptação do romance The Ghost, escrito por Robert Harris, um bem-sucedido autor de best-sellers com larga experiência na crônica política britânica. O próprio Harris escreveu o roteiro, com a intervenção de Polanski; o diretor, como sempre, acrescentou sua visão pessoal, sem desrespeitar a integridade da obra adaptada. O trabalho em conjunto resultou numa visão aprimorada, que segue a estrutura do romance sem reduções, mas traz elementos narrativos mais adequados às exigências do discurso cinematográfico. No livro, a história é narrada na primeira pessoa, pelo narrador onisciente; no filme, não há narrador, mas a sensação de onisciência permanece, já que o protagonista parece calcular as consequências das suas decisões.

O Escritor Fantasma: Ewan McGregor e Pierce Brosnan em ótimas atuações
Jogando com a expectativa da plateia
A trama política em O Escritor Fantasma segue de forma incidental. O personagem Adam Lang – que lembra muito o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair – esteve envolvido com a operação de invasão ao Iraque em 2003 e compartilhou interesses obscuros com políticos americanos durante a Guerra ao Terror. Polanski, no entanto, preferiu concentrar sua energia cinematográfica na fluência narrativa. Realizou um thriller noir temperado com alguns elementos políticos e brincou o quanto pôde com a expectativa da plateia. Extraiu ótimas atuações de todo o elenco e transformou o manuscrito do livro num elemento vivo nas mãos do escritor fantasma; também fez da mansão em Martha's Vineyard um ponto de ancoragem para toda a narrativa, ao explorar o potencial das incríveis locações que escolheu.

O Escritor Fantasma: um filme elegante e repleto de suspense
Um final arrebatador
É no final de O Escritor Fantasma que podemos ver Polanski no exercício do seu pleno domínio da linguagem cinematográfica; ele coloca sons e imagens a serviço da história, mas nunca a mando de exibicionismos fúteis. Não darei spoilers, mas o leitor que já assistiu ao filme saberá do que se trata. Quem não assistiu, recomendo que dedique um tempo para apreciar esse thriller de suspense elegante e envolvente, pois como disse lá no começo, esse diretor sabe o que faz. Sempre merece atenção! Se você quer mais dicas de bons filmes como esse, encontrará nos artigos exclusivos que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se grátis clicando aqui!
Veredito da crônica de cinema
★★★★★(5 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Roman Polanski, o roteiro bem escrito, a atuação de Ewan MaGregor, a trilha sonora envolvente e a concepção visual apurada.
O que surpreende: Polanski utiliza tanto as locações como o próprio manuscrito do escritor como elementos narrativos para gerar tensão e suspense.
Acima da média. É cinema de qualidade.
Ficha técnica do filme O Escritor Fantasma
Título original: The Ghost WriterAno de produção: 2010
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Robert Harris e Roman Polanski
- Elenco:
- Ewan McGregor
- Pierce Brosnan
- Olivia Williams
- Kim Cattrall
- Tom Wilkinson
- Timothy Hutton
- Jim Belushi
- Eli Wallach

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