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Mostrando postagens de dezembro, 2021

Feliz Ano Novo!

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PRETENDO OLHAR PARA O CÉU NOTURNO E ENXERGAR MAIS DO QUE FOGOS DE ARTIFÍCIO A luz elétrica revolucionou a vida em nosso planeta e alçou a humanidade a um patamar de conforto antes inimaginável, mas nos impôs um efeito colateral. Nossas cidades iluminadas ofuscaram o céu noturno e nos deixaram cegos para o esplendor da abóbada celeste. Aquilo que maravilhava nossos ancestrais cotidianamente, os intrigava e incitava a imaginação, apagou-se. Da minha varanda, numa noite sem nuvens e sem a luz do luar, tudo o que consigo enxergar olhando para cima são vários pontos luminosos, esparsos. Ainda assim suficientes para me pôr divagando sobre a imensidão do universo e as razões da existência.           Quando era garoto, aprendi na escola que a Terra está localizada na Via Láctea, uma galáxia como tantas outras. Lembro de uma foto num livro de geografia onde uma seta indicava o local exato. Fiquei intrigado: como é possível saber isso com tanta precisão, apenas olhan...

Crítica | Um Crime de Mestre: o duelo jurídico entre Anthony Hopkins e Ryan Gosling

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Um Crime de Mestre: dirigido por Gregory Hoblit MANIPULANDO O SISTEMA JURÍDICO Crime perfeito existe, mas não é aquele cometido sem deixar pistas. É aquele cuja autoria não pode ser provada nos tribunais. Sabemos quem o cometeu e de que maneira, mas não conseguimos colocar o cretino na cadeia, porque ele descobriu como manipular o sistema jurídico; aproveitou-se do emaranhado burocrático criado pelos legalistas!  É nessa linha que segue o filme  Um Crime de Mestre , dirigido em 2007 por Gregory Hoblit. É um envolvente drama de tribunal, que nos faz torcer para que o assassino termine por receber o castigo que merece. E o  diretor tem experiência no gênero: dirigiu os filmes As Duas Faces de um Crime e A Guerra de Hart , ambos sobre os rituais de um julgamento e a manipulação dos trâmites legais. Vamos direto para a sinopse: Um Crime de Mestre: o espectador não tem dúvidas de que Ted Crawford é o assassino O plano calculista de Ted Crawford       ...

À Espera dos Bárbaros: baseado no romance de J.M. Coetzee

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À Espera dos Bárbaros: filme dirigido por Ciro Guerra DIRETO DA LITERATURA PARA AS TELAS Nas páginas de um livro, uma história segue no ritmo ditado pelo leitor. O que o autor pode fazer é combinar as palavras e sugerir uma cadência na sonoridade que elas evocam; também pode forçar a pontuação para impor as pausas e marcar a tomada de fôlego. Ainda assim, é na leitura que a obra se abre para interpretações. No cinema, por outro lado, esse pacote vem pronto. O ritmo é dado pela duração das imagens e dos sons, mas também pelos gestos dos atores, seus olhares, linguagem corporal, tom de voz, pronúncia... Lembro desse assunto técnico para destacar que, no filme, a criação coletiva acaba com a ditadura do autor, que perde o controle absoluto da sua história. John Maxwell Coetzee o escritor sul-africano ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2003, resistiu o quanto pôde e tentou segurar as rédeas da sua obra; em À Espera dos Bárbaros , ele mesmo assina o roteiro para a adaptação do romanc...

Uma crônica de Natal

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UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA Os círculos nas plantações, as luzes que piscam sem identificação no céu noturno, as abduções... Era tudo verdade! Os alienígenas do espaço chegaram numa embarcação tetradimensional. Com graciosos movimentos metafísicos ela pousou no heliporto de um prédio vizinho ao meu. Incrédulo, fui recepcioná-los.           Com a ajuda de um desses googletranslators conseguimos iniciar uma conversa. Objetivos e racionais – como era de se esperar de alienígenas autênticos – foram direto ao ponto: perguntaram o significado do evento que mobilizava o planeta inteiro naquele dia 25 de dezembro.           – Ih, rapaz! Perguntaram para o sujeito errado. Não sou muito ligado a assuntos religiosos... Acho que um padre explicaria melhor.           Como os visitantes permaneceram impassíveis, com os imensos olhos atentos, não tive alternativa senão apresentar uma resposta. Ela saiu de improviso...

Imperdoável: Sandra Bullock merecia um roteiro melhor

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Imperdoável: filme dirigido por Nora Fingscheidt QUEM NÃO MERECE PERDÃO SÃO OS ROTEIRISTAS! Já aviso: esta crônica será diferente daquelas que você costuma ler aqui na Crônica de Cinema. O motivo é que detestei esse filme! Ele é irritantemente fraco e mal construído. Para explicar meu ponto de vista, precisarei apelar para spoilers – o que evito ao máximo, mas aqui serão necessários. Assim, fica o alerta: caso não tenha assistido ao filme  Imperdoável , dirigido em 2021 por Nora Fingscheidt, talvez prefira fazê-lo antes de ler esse texto. Depois de ver com os próprios olhos, poderá voltar e conferir se as nossas opiniões convergem ou divergem.           Antes de mais nada, quero lembrar que o filme  Imperdoável é a adaptação para o cinema da minissérie em três episódios intitulada Unforgiven , escrita por Sally Wainwright e exibida na TV britânica em 2009. Vejo aqui o primeiro ponto fraco: o fluxo narrativo numa minissérie é diferente daquele ap...

Loucos por Justiça: Mads Mikkelsen não está para brincadeiras

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Loucos Por Justiça: filme de Anders Thomas Jensen DE GÊNERO EM GÊNERO, SEM PERDER A VEROSSIMILHANÇA Close no militar embrutecido pelo estresse pós-traumático. De tão calejado de guerra, ele só consegue enxergar o mundo pela perspectiva da violência. Transformado em máquina de guerra poderosa e incontrolável, sua razão de ser é causar dor nos inimigos incautos que cruzam seu caminho. Suas feições gélidas intimidam, seu olhar não deixa entrever qualquer emoção, suas expressões jamais se alteram... Não restam dúvidas: estamos diante de um personagem padrão nos filmes de ação hollywoodianos.           Mas espere! Esse não é um filme americano, é dinamarquês! E repare bem: o tal militar não é um recipiente vazio de emoções; sua estampa fervilha em aflição e angústia enquanto os sentimentos escapam pelas microexpressões do ator! E, falando nisso, que ator é esse? Meu Deus, é o Mads Mikkelsen, com a cabeça raspada e uma barba imensa! Ah, esse Loucos Por Justiça , ...

Crítica | Ataque dos Cães: Jane Campion adapta um romance de Thomas Savage e realiza um western sombrio

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Ataque dos Cães: filme dirigido por Jane Campion UM ESPETÁCULO AUDIOVISUAL REFINADO E FLUENTE Ataque dos Cães , filme de 2021 escrito e dirigido pela cineasta neozelandesa Jane Campion é um filme e tanto; um espetáculo audiovisual que apresenta um melodrama sólido, com narrativa fluente, atuações marcantes, uma temática envolvente e vocação para ensejar diferentes interpretações. Para formar uma opinião crítica a respeito dessa produção é preciso ponderar diferentes elementos; primeiro, vamos falar da diretora: Uma diretora com ótimos antecedentes           Jane Campion alcançou celebridade depois que dirigiu o filme O Piano em 1993, o que lhe rendeu a Palma de Ouro em Cannes – a primeira mulher a receber o prêmio – e o Óscar de melhor roteiro original. Credenciada como grife de cinema criativo e maduro, sua assinatura nos créditos é motivo suficiente para dar atenção ao filme; dessa vez, porém, a diretora não vem com uma história criada por ela; faz a ada...

5 filmes onde o mundo da música é pano de fundo

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Antes do cinema, a música tinha um caso sério com o teatro. Deram à luz a opera e continuam apaixonados até hoje. Mas a sétima arte herdou as qualidades dos pais e criou espetáculos inesquecíveis. Há uma categoria de filmes que não podemos classificar propriamente como musicais, pois neles a música se estende como pano de fundo para sustentar os dramas de seus personagens. As histórias se passam nos bastidores e nos deixam entrever as dinâmicas e as práticas no fascinante mundo habitado pelos músicos, produtores e operários da indústria musical. Aí vai uma lista com cinco filmes onde vale a pena prestar atenção nesse pano de fundo. 1 - Whiplash – Em Busca da Perfeição Um filme vigoroso dirigido por Damien Chazelle, sobre uma batalha de egos no mundo da música de alta performance. Leia mais: 2 - A Última Nota Patrick Stewart em excelente atuação vive um pianista fictício passando por uma crise real. A direção é de Claude Lalonde Leia mais: 3 - O Cântico dos Nomes Uma ode imaginativa e o...

Crítica | Um Lugar no Coração: Robert Benton realizou um filme inesquecível, com frequência ignorado pela crítica. Por que será?

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Um Lugar no Coração: escrito e dirigido por Robert Benton POR QUE UM FILME TÃO INCRÍVEL ANDA MEIO ESQUECIDO? Às vezes me pergunto: por que Um Lugar no Coração , escrito e dirigido em 1984 por Robert Benton, quase não aparece na lista dos grandes filmes a serem reverenciados no panteão da sétima arte? Quase não leio comentários sobre essa produção impecável, que recebeu seis indicações ao Óscar e saiu com duas estatuetas: melhor atriz para Sally Field e melhor roteiro original para Robert Benton. Ela nos traz uma história emocionante, contada com propriedade e encenada por um elenco magnético; ainda assim, parece esquecida. Os privilegiados que dispõem de uma cópia no acervo certamente se dão o prazer de revisitá-la de tempos em tempos; para o resto de nós, é preciso tropeçar com o título em algum serviço de streaming . Será que a culpa é de Mozart?           Parti de algumas teorias para tentar resolver o mistério. Na primeira, a culpa seria de Mozart, ou m...

Crítica | Diamante de Sangue: Edward Zwick denuncia as injustiças em Serra Leoa, mas tropeça em certas narrativas hipócritas

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Diamante de Sangue: dirigido por Edward Zwick SÓ OS TRAFICANTES SÃO REDIMIDOS Diamante de Sangue , filme de 2006 dirigido por Edward Zwick, é uma  produção endinheirada e tecnicamente bem realizada. Tem ótima fotografia, uma trilha sonora bem conduzida, direção de arte consistente e um roteiro bem escrito.  Consegue entregar um bom entretenimento, ainda que esquecível.  O problema é que  chafurda em hipocrisia.   Ok, estou sendo incisivo e compreendo que precisarei justificar essa introdução com argumentos convincentes. Mas antes será necessário estabelecer a sinopse do filme e seu contexto dramático. A sinopse: tudo por um diamante cor-de-rosa  O pano de fundo de Diamante de Sangue é a guerra civil que eclodiu em Serra Leoa, quando os guerrilheiros da FRU – Frente Revolucionária Unida tocaram o terror naquele pobre país africano. Lá os diamantes eram garimpados em abundância e logo viraram moeda de troca para a compra de armas. Vários serra-leonenses fora...

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