Crítica | Um Crime de Mestre: o duelo jurídico entre Anthony Hopkins e Ryan Gosling
Um Crime de Mestre: dirigido por Gregory Hoblit
MANIPULANDO O SISTEMA JURÍDICO
Crime perfeito existe, mas não é aquele cometido sem deixar pistas. É aquele cuja autoria não pode ser provada nos tribunais. Sabemos quem o cometeu e de que maneira, mas não conseguimos colocar o cretino na cadeia, porque ele descobriu como manipular o sistema jurídico; aproveitou-se do emaranhado burocrático criado pelos legalistas! É nessa linha que segue o filme Um Crime de Mestre, dirigido em 2007 por Gregory Hoblit. É um envolvente drama de tribunal, que nos faz torcer para que o assassino termine por receber o castigo que merece. E o diretor tem experiência no gênero: dirigiu os filmes As Duas Faces de um Crime e A Guerra de Hart, ambos sobre os rituais de um julgamento e a manipulação dos trâmites legais. Vamos direto para a sinopse:
O plano calculista de Ted Crawford
Ted Crawford (Anthony Hopkins) é um empresário do setor aeronáutico que voa nas asas do sucesso e leva uma vida abastada em Los Angeles. Logo no começo do filme, ele já sabe que Jennifer (Embeth Davidtz), sua mulher, tem um caso. Chega a espionar os amantes num hotel e vai para casa mais cedo. Quando a infiel chega na mansão ele já a espera com uma arma; atira nela sem cerimônia, com assustadora frieza. Segue um processo tão meticuloso, que não deixa dúvidas: ele tem um plano! Calculista, aguarda a chegada da polícia; é quando descobrimos que o amante da vítima é justamente o detetive de polícia Robert Nunally (Billy Burke), que entra na mansão para negociar a rendição do assassino.

Um Crime de Mestre: de réu confesso a um ardiloso inimputável
Crawford é preso, assina uma confissão e vai a julgamento, mas dispensa o advogado. Decide conduzir a própria defesa. Na ponta da promotoria pública, entra em cena o jovem e ambicioso advogado Willy Beachum (Ryan Gosling), que acaba de conquistar um importante emprego na iniciativa privada e não vê a hora de desfrutar o sucesso. Willy trata o caso com displicência e permite que Crawford vire o jogo. O criminoso consegue anular sua confissão, mostra que não há provas de que tenha cometido o crime e coloca em dúvida a idoneidade do detetive, que tinha um caso com sua mulher. Com o orgulho ferido, o jovem Willy decide comprar a briga jurídica com o astuto Crawford, que age no tribunal com a segurança de quem sabe que cometeu o crime perfeito.
Metáforas e traquitanas: a mente do assassino
A ideia para Um Crime de Mestre partiu do escritor e roteirista Dan Pyne, que imaginou uma história onde um assassino representa a si mesmo no tribunal. A partir do argumento, o roteirista Glenn Gers desenvolveu a história para que ela não resultasse num mero filme de tribunal. Primeiro, fez várias pesquisas para alcançar verossimilhança no conteúdo jurídico do filme, depois, criou um hobby para o assassino. Ted Crawford seria construtor de traquitanas complexas, composta por estruturas metálicas precisas, que colocam pequenas bolas de cristal em movimento. Gregory Hoblit soube materializar tais construções em peças artísticas, apresentadas ao longo do filme como metáforas para a mente aguçada do assassino.
Um Crime de Mestre: Anthony Hopkins e suas meticulosas traquitanas
Um elenco afiado em um roteiro de entretenimento
Anthony Hopkins e sua assustadora estampa como vilão, gravada na mente do público desde que interpretou o doutor Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, é a grande atração do filme. Ryan Gosling faz um excelente contraponto; convence no papel do jovem ambicioso que perdeu o primeiro round, mas não está disposto a entregar os pontos. O grande pecado do filme é ficar na superfície dos estereótipos, sem se aprofundar nos aspectos emocionais e psicológicos dos personagens. No final, chegamos ao veredito: os realizadores apenas se preocuparam em nos entregar uma obra de entretenimento. Tiveram a sorte de contar com um elenco afiado.
Veredito da crônica de cinema
★★★☆☆(3 / 5 estrelas)
O que brilha: o roteiro bem construído e as ótimas atuações de Anthony Hopkins e Ryan Gosling.
O que decepciona: o filme fica apenas na superfície dos estereótipos, preso aos elementos de suspense.
Vale a pena. Oferece entretenimento de qualidade.
Ficha técnica do filme Um Crime de Mestre
Título original: FractureAno de produção: 2007
Direção: Gregory Hoblit
Roteiro: Daniel Pyne e Glenn Gers
Elenco:
- Anthony Hopkins
- Ryan Gosling
- David Strathairn
- Rosamund Pike
- Embeth Davidtz
- Billy Burke
- Cliff Curtis
- Fiona Shaw
- Bob Gunton
- Josh Stamberg
- Xander Berkeley
- Zoe Kazan


Adorei o teu texto! Muito bom.
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirParabéns Fábio. Você realmente sabe escrever e instigar o leitor
ResponderExcluirAh, muito obrigado pelo feedback!!! Valeu!
ExcluirGostaria de poder assistir. Sistema emaranhado sóe (?!) ocorrer .
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