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Treze Dias Que Abalaram o Mundo: a crise dos mísseis cubanos

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Treze Dias Que Abalaram o Mundo: direção de Roger Donaldson POLÍTICA É UM PROBLEMA, MAS TAMBÉM É A SOLUÇÃO! John F. Kennedy foi aquele presidente americano que teve um caso com a loira Marilyn Monroe e acabou morto enquanto passeava de conversível com a Jaqueline Onassis, ao levar um tiro na cabeça disparado por Lee Harvey Oswald. Resumi de forma tosca? Sim! Mas é praticamente tudo o que o grande público de hoje guarda na memória sobre um dos presidentes mais populares dos Estados Unidos. É curioso como ninguém mais se refere a esse personagem glamouroso como um político. Como tal, era dado a politicagens e badalações, mas sua curta carreira não foi uma festa permanente. Kenedy precisou lidar com o estresse de um dos episódios mais tensos da Guerra Fria. É assim que ele aparece em Treze Dias Que Abalaram o Mundo , filme de 2000 dirigido por Roger Donaldson.           O filme vai se esgueirando pelos bastidores da crise dos mísseis de Cuba, que em 1962 colocou o mundo à beira de uma gue

O Pacto: será uma história é real?

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O Pacto: direção de Guy Ritchie NÃO SENTI FALTA DA TRADICIONAL EXTRAVAGÂNCIA DO DIRETOR No agitado mundo dos filmes de ação, o diretor britânico Guy Ritchie é uma usina de criatividade a serviço da diversão e do entretenimento. Desde que surgiu em 1998 com seu ótimo Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes , dirigiu vários sucessos, entre eles Sherlock Holmes , Snatch: Porcos e Diamantes , O Agente da U.N.C.L.E. e mais recentemente, Esquema de Risco - Operação Fortune . A narrativa sempre ágil e envolvente, os letreiros invadindo a tela, os diálogos afiados e o humor inteligente se tornaram suas marcas registradas. Esperava ver todos esses elementos reunidos em O Pacto , filme que ele dirigiu em 2023, mas não! Ao invés disso, assisti a um thriller de guerra compenetrado, com boa profundidade dramática, um enredo sólido e altas doses de tensão.           Devo dizer que a tradicional extravagância de Guy Ritchie não faz a menor falta em O Pacto . Ao invés dela, o diretor preferiu ressalt

O Pior Vizinho do Mundo: só que não!

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O Pior Vizinho do Mundo: filme de Marc Forster A PRESENÇA DE TOM HANKS É PRATICAMENTE UM SPOILER! Quando vi a foto do ator Tom Hanks ilustrando o título O Pior Vizinho do Mundo , percebi que estava diante de uma peça de comunicação acabada. De imediato, o cartaz me induziu a imaginar uma história completa, com começo, meio e fim: o protagonista seria um tipo de ranzinza abominável, que depois de exposto às agruras da vida revelaria ter bom caráter e encantaria a audiência com suas atitudes de boa-praça – aquelas que costumamos associar a... Tom Hanks! Talvez você também tenha caído nesse truque, acreditando que essa comédia dramática de 2022, dirigida por Marc Forster, tenha sido escrita seguindo o jogo de cartas marcadas que se tornou especialidade de Hollywood. Por lá, costumam se apropriar de histórias emocionantes, exagerando nas pitadas de ternura para conquistar mais facilmente o coração do expectador. Bem, posso dizer que, em parte, é justamente disso que se trata!           Ac

Horizonte Profundo: Desastre no Golfo: foi assim que tudo aconteceu!

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Horizonte Profundo: Desastre no Golfo: direção de Peter Berg HÁ MUITA EMOÇÃO POR TRÁS DE TODA A PIROTECNIA Sou um cinéfilo convicto, mas sigo uma dieta rica em outros produtos audiovisuais: séries, reality shows, documentários, programas de variedades... Quando meu lado nerd vem à tona, gosto de assistir às séries educativas do Discovery Chanel, como Mundo Gigante com Richard Hammond . Num dos episódios, lembro que o jornalista inglês visitou a maior plataforma de petróleo do mundo, em operação no Golfo do México. Hammond é carismático e sabe capturar o interesse dos espectadores. Além de nos pôr surpresos com o gigantismo da plataforma e suas complexidades operacionais, desceu ao nível dos detalhes mais banais, mostrando o dia-a-dia dos trabalhadores que lá passam confinados de quinze em quinze dias. Mais que isso, Hammond conseguiu passar uma noção espacial de toda a plataforma, dando uma compreensão das distâncias e da localização dos seus diferentes recintos. Ao final do programa,

A Lenda de Tarzan: o rei da selva continua em forma

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A Lenda de Tarzan: direção de David Yates O PONTO ALTO ESTÁ NA ORIGEM DO PERSONAGEM Quando publicou sua primeira história sobre Tarzan, em 1912, o escritor americano Edgar Rice Burroughs jamais havia posto os pés na África. Precisou apenas de criatividade para conquistar uma posição cativa no imaginário popular – e na indústria cultural em escala global. Ah, e também usou um pouco de esperteza! Inspirou-se na obra de Rudyard Kipling, mais precisamente em O Livro da Jângal , publicado em 1894, que conta a história de Mogli, o menino-lobo, ambientada na Índia e protagonizada pelo órfão adotado por lobos. Para escapar do plágio, Burroughs transferiu sua história para a África e idealizou seu personagem como um filho da aristocracia inglesa, que termina adotado por macacos. Mesmo sem aprofundar seus conhecimentos sobre o continente africano, conseguiu escrever 25 livros de sucesso.           Em 1929, Tarzan ganhou materialidade nas páginas dos jornais, por meio de uma tira desenhada pelo a

THX 1138: a desumanidade dos delírios coletivistas

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THX 1128: direção de George Lucas CINEMA PREMONITÓRIO? Só assisti à ficção científica THX 1138 , dirigida por George Lucas em 1971, quando entrou em cartaz na minha cidade, com dez anos de atraso. Foi num cinema de rua, como agora são chamadas as salas de exibição que não ficam plantadas em shopping centers – na época, o que não havia em Curitiba eram shopping centers! Apesar do visual apurado, o filme me pareceu preso em uma distopia temporal: trazia uma concepção futurista, mas mostrava traquitanas tecnológicas com design menos arrojado do que vi em Guerra nas Estrelas . Não fiquei empolgado com o ritmo arrastado, mas guardei na memória a história perturbadora das pessoas desumanizadas, contabilizadas como números e mantidas vivas com o único propósito de servir à coletividade. Fiquei com receio de que o filme pudesse trazer algum sentido... premonitório.           Então, zapeando pelos canais da TV por assinatura, me deparei novamente com THX 1138, desta vez com um atraso de 52 anos

Destemida: com a família dando apoio, sobra determinação!

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Destemida: direção de Sarah Spillane UMA HISTÓRIA INSPIRADORA, QUE NOS SERVE DE MODELO Colocar o filme Destemida , dirigido em 2022 pela australiana Sarah Spillane, lado a lado com o agora clássico Eu, Christiane F. - 13 Anos, Drogada e Prostituída , dirigido em 1981 pelo alemão Ulrich Edel, pode parecer uma aberração. Mas é justamente o que estou fazendo nesta sequência de crônicas, porque enxerguei entre os dois filmes uma forte conexão: a família. No primeiro, ela se impõe pela presença. No segundo, pela ausência! Ambos são protagonizados por meninas, personagens reais que alcançaram, cada uma ao seu modo, alguma projeção mundial. O primeiro filme é edificante e inspirador. O segundo é didático e nos serve de alerta.           Quarenta anos depois que a triste história de Christiane F. chocou o mundo, podemos assistir a um filme que segue na direção oposta. Destemida nos conta a jornada de Jessica Watson (Teagan Croft), uma australiana de apenas 16 anos que, em 2009, tornou-se a pe

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