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Mostrando postagens de março, 2021

Os Sete de Chicago: fatos reais que chocaram o mundo

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Os Sete de Chicago: filme dirigido por Aaron Sorkin UM FILME DE TRIBUNAL ONDE RESPIRAMOS O GÁS LACRIMOGÊNEO DOS ANOS 60 Ao lidar com temas políticos, um diretor sabe que será julgado pela plateia sob dois parâmetros: pela sua ideologia e pelo seu cinema. No filme os Sete de Chicago , de 2020, Aaron Sorkin soube manter sua ideologia a uma distância discreta, mas não poupou espaço para o seu ótimo cinema; realizou essencialmente um filme de tribunal, com todos os cacoetes do gênero e repleto de momentos eletrizantes.           Como roteirista, Aaron Sorkin já revelou seu talento em filmes como Questão de honra , Jogos de Poder e A Rede Social . Como diretor, já havia realizado A Grande Jogada  e agora, escreveu e dirigiu o filme  Os Sete de Chicago , depois que o diretor destacado originalmente – ninguém menos que Steven Spielberg – teve que abandonar o projeto. Saiu-se bem! O filme narra um episódio histórico na vida jurídica e polític...

Crítica | Operação França: Willian Friedkin inovou a linguagem dos filmes de ação trouxe Gene Hackman na linha de frente

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Operação França: filme dirigido por Willian Friedkin O FILME QUE DITOU UM PADRÃO ESTÉTICO PARA O GÊNERO Sim... Operação França já foi um filme moderno, intenso, ousado e arrebatador. Isso foi há mais de 50 anos; em 1971, quando William Friedkin o realizou, causou comoção nos cinemas. Era um filme para adultos, que escancarava o submundo do tráfico de drogas em Nova Iorque – uma cidade que, vejam só, se mostrava suja, com bolsões de pobreza, barulhenta... Os protagonistas eram policiais, mas ficavam a dever em refinamento; desgrenhados, vulgares e moralmente questionáveis, não se furtavam ao uso da brutalidade e da violência. Os bandidos, bem... esses eram refinados, elegantes, sutis, discretos... Um novo nível para as perseguições de carro           Câmera instável, cores não saturadas, cortes secos, locações realistas... Aos olhos do espectador atual, nenhuma novidade; há meio século, uma linguagem inovadora, que fez escola e influenciou os thrillers poli...

Crítica | Uma Segunda Chance: um grande roteiro desperdiçado

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Uma Segunda Chance: filme dirigido por Mike Nichols ERA PARA SER UMA COMÉDIA DRAMÁTICA, MAS VIROU MELODRAMA   Entre os incontáveis títulos disponíveis nos serviços de streaming , há muitos que nem sequer conheço. Então, de vez em quando, reservo um tempinho para o garimpo – atividade que exige paciência e nem sempre surte bons resultados. Nesta semana, o filme que caiu na minha bateia foi Uma Segunda Chance , de 1991, dirigido por Mike Nichols e estrelado por Harrison Ford. O filme não funciona           Indo direto ao ponto: o filme é uma grande decepção. Conta uma história envolvente, tem narrativa fluente, elenco competente e design de produção esmerado; entretanto, não funciona! Enquanto assistia ao filme, na medida em que as cenas aconteciam, ficava cada vez mais intrigado: por que o filme não acontece? Por que não emociona? Gosta de analisar os filmes em profundidade ? Se você prefere as resenhas detalhadas, com indicações de bons filmes, adorari...

A Travessia: uma façanha real

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A Travessia: filme dirigido por Robert Zemeckis UM EQUILIBRISTA COM ALMA E VISÃO DE ARTISTA Quando o francês Philippe Petit estendeu secretamente um cabo de aço entre as coberturas dos dois maiores edifícios até então já construídos e caminhou sobre ele com audácia e destemor, realizou uma façanha única. A imagem do equilibrista sereno e seguro, a desafiar a finitude – pontinho vitorioso maculando um céu monótono –, ganhou status de verdadeira instalação artística. Nada de atração circense, nada de espetáculo mambembe; a intervenção urbana que espantou o mundo naquele ano de 1974 foi a visão de um artista ousado tornada realidade.           Usar a palavra equilíbrio para se referir a Philippe Petit pode parecer um trocadilho, mas há que reconhecer: foi o que ele promoveu ao unir competência técnica e consciência artística para assumir seu lugar no mundo. No topo dele!           Ocorre que esse topo do mundo eram as torres gêmea...

Crítica | Os Intocáveis: veja o verdadeiro significado do título

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Os Intocáveis: filme dirigido por Brian de Palma UMA HISTÓRIA EMBLEMÁTICA SOBRE A CHICADO DOS ANOS 1930 De tempos em tempos me pego assistindo ao filme Os Intocáveis , realizado em 1987 por Brian de Palma. Lembro de todas as cenas em seus mínimos detalhes e até sei algumas falas de cor; ainda assim, é um deleite mergulhar por duas horas no atraente universo visual criado pelo diretor. Quando vi o filme pela primeira vez – foi no cinema –, fiquei empolgado; Eliot Ness e seus intocáveis ganharam na telona uma nova dimensão, bem mais heroica do que aquela guardada nas minhas memórias de criança. Por que eram intocáveis?             Quando era pequeno, havia uma série de TV intitulada Os Intocáveis , realizada num mofado preto e branco e exibida com uma dublagem que já me soava antiquada. Lembro de não ter permissão para assistir àqueles episódios tão violentos e com temática voltada para adultos. Intrigado com o título, perguntei a um tio o que significav...

Crítica | Noite Sem Fim: Liam Neeson ganha o reforço de Joel Kinnaman nesse thriller empolgante sobre a máfia irlandesa

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Noite Sem fim: filme dirigido por Jaume Collet-Serra BEM DIRIGIDO, BEM FOTOGRAFADO E MUITO BEM INTERPRETADO Desconhecido , Sem Escalas , O Passageiro ... Esses são títulos de filmes de ação que trazem pelo menos dois pontos em comum com Noite Sem Fim , realizado em 2015: a presença de Liam Neeson no papel do protagonista e a mão segura e habilidosa de Jaume Collet-Serra na direção. O diretor, responsável por criar uma atmosfera envolvente de tensão e suspense em todos os seus filmes, emprega uma fórmula eficiente, que se mostrou comercialmente poderosa. Aqui, ela chega ao seu estado da arte. Uma certa densidade dramática           Noite Sem Fim  é um thriller com doses maiores de violência. Visita o universo áspero e rancoroso das várias famílias mafiosas que se estabeleceram na cidade de Nova Iorque. Desta vez, a família retratada é irlandesa, de fé católica. Há muita fúria, alguns clichês, personagens estereotipados e outros exageros típicos do gêner...

Crítica | O Garoto: um século inteiro emocionando, graças ao gênio de Charlie Chaplin

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O Garoto: filme dirigido por Charlie Chaplin SEM CORES E SEM SOM, MAS ABARROTADO DE EMOÇÕES Há cem anos, Charlie Chaplin realizou  O Garoto  (1921), uma comédia dramática filmada em preto e branco e sem som, que se tornaria um dos seus maiores sucessos. Meus avós vivenciaram a explosão de criatividade que o cineasta provocou naqueles primórdios do cinema. Meus pais conheciam seus filmes e se divertiam com eles. A minha geração continuou admirando e respeitando Chaplin, ainda que sua obra estivesse praticamente confinada na telinha da TV. Já Carlitos, o personagem que ele criou, habitava os espaços gráficos dos pôsteres, dos anúncios, das capas de caderno, das camisetas... Estava mais vivo do que nunca! Chaplin desenhou um ícone           Para a geração da minha filha, o nome Charlie Chaplin ainda tem significado. Continua sendo pronunciado na mídia, embora dispute espaço com bilhões de outras atrações. Como isso é possível? Por que tantas obras e ...

O Terminal: filme estrelado por Tom Hanks

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O Terminal: filme dirigido por Steven Spielberg UMA GRANDE IDEIA QUE RECEBEU TRATAMENTO BUROCRÁTICO  A filmografia de Steven Spielberg é bastante eclética, entretanto, para o grande público, seu nome acabou ligado mais fortemente aos dramas e às aventuras; suas incursões no gênero comédia resultaram em seus filmes menos memoráveis. O Terminal , que ele dirigiu em 2004 é um deles. Apesar de trazer uma ótima ideia como ponto de partida, recebeu um desenvolvimento superficial – talvez porque o diretor tenha decidido que o melhor para o filme seria que ele morasse eternamente na... Sessão da Tarde!           O Terminal conta a história de Viktor Navorski (Tom Hanks), um sujeito do leste europeu ávido por conhecer Nova Iorque, que desembarca no aeroporto JKF sem saber falar uma palavra em inglês. Por uma inusitada reviravolta política, fica impedido de entrar na América; também não pode voltar para casa, porque seu país, convulsionado, foi dividido e deixo...

Crítica | O Último Rei da Escócia: Kevin Macdonald acertou na tensão, no suspense e no elenco, com Forest Whitaker e James McAvoy

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O Último Rei da Escócia: filme dirigido por Kevin Macdonald FICÇÃO E REALIDADE DESENHAM O RETRATO VERDADEIRO DE UM DITADOR A história real que inspirou o romance O Último Rei da Escócia , escrito por Giles Foden, no qual este filme foi baseado, diz respeito aos atos de autoritarismo monstruoso que marcaram o governo de Idi Amin Dada, o ditador que imperou absoluto em Uganda por toda a década de 1970. Já o personagem que serve de fio condutor para a narrativa, o médico escocês Nicholas Carrigan, é fictício, mas graças à arte de contar histórias, ganha uma aura de autenticidade e verossimilhança que emana grande força dramática. Os tentáculos do poder           O Último Rei da Escócia , dirigido em 2006 por Kevin Macdonald, não pretende denunciar as injustiças e mazelas que insistem em se abater sobre o continente africano. Prefere falar sobre os tentáculos do poder e de como eles envolvem gente bem-intencionada, para então distraí-los com benesses e os seduz...