Crítica | Nomadland: Chloé Zhao tenta provar que a vida de nômade é infeliz, mas Frances McDormand mostra que não é bem assim
Nomadland: filme dirigido por Chloé Zhao LIBERDADE, UM BOM MOTIVO PARA METER O PÉ NA ESTRADA Há um tom de ironia no título do filme Nomadland , dirigido em 2020 por Chloé Zhao. Numa tradução apressada, a palavra se refere a uma “terra dos nômades”. Ora, nômades, por definição, não têm terra; seguem errantes em busca de recursos e jamais se fixam. Logo, o termo deve ter sido cunhado para designar uma suposta terra imaginária, de sonhos e fantasias, como em “Disneyland”, ou “La La Land” – para citar outro ganhador do Óscar. Esse raciocínio me levou a supor qual seria, afinal, o viés ideológico do filme: ressaltar o quão melancólica e infeliz é a escolha dos que se afastam do sistema econômico e se agarraram a uma vida nômade, na tentativa inútil de alcançar uma liberdade utópica! Liberdade x felicidade Ora, liberdade nada tem de utopia. É um conceito abstrato que emana da razão; é um direito fundamental e seu exercício é básico para que o ser humano...