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Mostrando postagens com o rótulo Ação

Os Infiltrados: Scorsese finalmente pôs as mãos num Óscar

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Os Infiltrados: direção de Martin Scorsese UMA TRANSPOSIÇÃO CULTURAL E CINEMATOGRÁFICA Conflitos Internos , dirigido em 2002 pela dupla Andrew Lau e Alan Mak foi um estrondoso sucesso em Hong Kong. Filme de ação, bem ao gosto do público asiático, traz aquele tipo de cinema frenético e estilizado, produzido em grande escala para proporcionar entretenimento descartável. Com toques de melodrama, conta a história de dois personagens em lados opostos da lei. Um é policial e se infiltra no crime organizado, para tentar acabar com a festa dos bandidos. O outro foi recrutado pelo crime organizado, para se tornar policial e tentar proteger os interesses dos bandidos. A existência de ambos é descoberta, mas não suas identidades. O jogo que se inicia, então, é aquele de gato e rato, com direito a lances violentos e todo tipo de dissimulações, até que um deles seja desmascarado por primeiro e eliminado.           O ator Brad Pitt se uniu ao produtor Brad Gray e os dois compraram os direitos dessa

Inimigo Íntimo: o último filme de Alan J. Pakula

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Inimigo Íntimo: direção de Alan J. Pakula CINEMA SUFICIENTE PARA COMPORTAR DOIS PROTAGONISTAS O diretor americano Alan J. Pakula realizou uma extensa filmografia, mas é lembrado de imediato por títulos como Todos os Homens do Presidente e A Escolha de Sofia , que alcançaram lugar de destaque entre os grandes filmes de Hollywood. Sua última obra foi Inimigo Íntimo , realizada em 1997, um ano antes da sua morte. Na época do seu lançamento, o filme veio cercado de polêmicas, alimentadas pela mídia em torno de uma suposta guerra de egos travada nos bastidores pelos astros Brad Pitt e Harrison Ford. Se ela aconteceu, evaporou-se em irrelevância, passando despercebida pelos cinéfilos que hoje visitam o filme para fruir seu cinema de qualidade e sua história muito bem contada.           Porém, quero mencionar aqui o embate entre os atores, porque talvez ele tenha contribuído para deixar essa história envolvente ainda mais densa. Os críticos especializados costumam ressaltar as qualidades do

O Jardineiro Fiel: sobram dilemas éticos e morais

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O Jardineiro Fiel: direção de Fernando Meirelles AS BIG PHARMAS JÁ ESTAVAM NA BERLINDA! Dia desses, vasculhando a programação da TV por assinatura, deparei com o filme O Jardineiro Fiel , dirigido em 2005 por Fernando Meirelles. Atinei que havia assistido a esse filme uma única vez, à época do seu lançamento. Lembrava da trama e dos seus personagens, mas os detalhes narrativos já haviam me escapado. Que grande oportunidade! Revisitar um filme de qualidade e experimentar a mesma sensação de frescor do primeiro encontro é uma dádiva! Apertei o play e, lá pelo segundo ato, levei um susto!           – É sério? Quinze anos antes da epidemia do COVID19? – exclamei depois de fazer as contas.           Naquela época o filme já estava denunciando as tramoias entre a indústria farmacêutica e agentes estatais corruptos, para vender quantidades planetárias de vacinas e medicamentos sem um controle seguro dos seus efeitos colaterais e com margens de lucro obscenas. Com tamanho potencial explosivo,

Jurassic Park - Parque dos Dinossauros

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Jurassic Park: direção de Steven Spielberg ANTES DE TUDO, UMA FAÇANHA NARRATIVA! Desde que a palavra "dinosauria" foi inventada pelo cientista britânico Richard Owen, em 1842, os lagartos terríveis que dominaram a Terra há milhões de anos voltaram à vida no imaginário popular. O cinema, valendo-se de toscas animações em stop motion, onde bonecos são fotografados quadro a quadro para simular movimento, tratou de materializá-los em sua gigantesca monstruosidade. Mas foi em Jurassic Park - Parque dos Dinossauros , filme de 1993 dirigido por Steven Spielberg, que eles ressuscitaram, numa façanha ousada e lucrativa, que entrou para a história da sétima arte.           Há exatos 30 anos, cinéfilos do mundo todo se deliciaram com imagens de um realismo inédito, geradas por meio da computação gráfica. Tal técnica revolucionária acabou ganhando relevância aos olhos da plateia, a ponto de se tornar, ela mesma, uma presença marcante no filme. A partir dali não haveria limites para a ous

Tropa de Elite: cinema de alto impacto

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Tropa de Elite: direção de José Padilha CINEMA NACIONAL VIVO E PULSANTE Comentar sobre o filme brasileiro mais comentado de todos os tempos é uma ousadia, já que corro o risco de cair em redundância. Graças aos fãs incondicionais e detratores enraivecidos que o filme conquistou, Tropa de Elite , dirigido em 2007 por José Padilha, já foi dissecado à exaustão na mídia tradicional e na Internet. Entretanto, a visão individual de cada cinéfilo sempre traz perspectivas novas para o debate. Deixe-me apresentar a minha, para ajudar a manter a fogueira acesa.           Quando entramos na sala de exibição para assistir a Tropa de Elite , Ludy e eu não trazíamos informações antecipadas sobre o filme. Minha mulher, porque não tinha interesse no tema e só estava lá para usufruir de algum entretenimento. Quanto a mim, tentava não me contaminar por opiniões e pré-julgamentos, mas temia me deparar com uma reles apropriação oportunista da estética apresentada por Cidade de Deus . Saímos ambos surpreso

Mente Criminosa: pacote completo com ação, ficção científica, espionagem e suspense

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Mente Criminosa: direção de Ariel Vromen ROTEIRO BEM COSTURADO E UM ELENCO CARISMÁTICO Com perdão do pleonasmo, gosto de definir os enredos de filmes de ação como peças cinematográficas por excelência. Quero com isso dizer que, em geral, não são adaptações de romances, história em quadrinhos ou videogames. São criados para as telas e formatados a partir do uso otimizado da linguagem audiovisual. Normalmente, o gênero não abre espaço para investigações aprofundadas sobre o mundo interno dos personagens. O que interessa são as decisões que eles tomam, quase sempre sob pressão de forças externas urgentes. Filmes de ação não demandam longas cenas expositivas, nem subtramas costuradas com apuro. Basta a boa e velha narrativa linear e a escolha dos melhores pontos de vista para expor a ação – normalmente o assumido pelo protagonista heroico ou pelo antagonista abjeto. Mente Criminosa , dirigido em 2016 pelo israelense Ariel Vromen, é um filme de ação, mas recebeu alguns “upgrades” extraídos

A Viatura: respiramos a mesma atmosfera dos westerns spaghetti

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A Viatura: filme dirigido por Jon Watts UM CONTO CRIADO PARA AS TELAS, FILMADO COM NATURALIDADE Procurar um filme para assistir no serviço de streaming é uma atividade arriscada. Por mais que os algoritmos se esforcem para “adivinhar” suas preferências, eles acabam indicando uma diversidade muito grande de filmes. Alguns são facilmente descartáveis, a maioria não empolga e alguns poucos atiçam a curiosidade. Mas há aqueles que nos põem diante de um dilema: a sinopse é de filme B, mas a embalagem insinua que pode haver algum cinema que se aproveite. Foi essa a minha dúvida quando dei de cara com A Viatura , filme de 2015 dirigido por Jon Watts. Motivado pela presença do ator Kevin Bacon, decidi correr o risco, mas segui temeroso de que assistiria apenas a cenas de ação desenfreada e violência gratuita. Para minha satisfação, não foi nada disso! O filme é bem realizado e traz uma história formatada para as telas com precisão, onde a narrativa visual fluente remonta à atmosfera de tensão

O Agente da U.N.C.L.E.: entretenimento com a ótima trilha sonora

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O Agente da U.N.C.L.E.: direção de Guy Ritchie ESPIONAGEM, AÇÃO E DIVERSÃO! O cinema tem essa capacidade impressionante de ir ligando os pontos da afetividade e no final revelar um desenho surpresa, formado feito constelação no firmamento da nossa imaginação. Quando terminei de assistir ao filme O Agente da U.N.C.L.E. , dirigido em 2015 por Guy Ritchie, o que visualizei foi um delicioso sorvete de casquinha, daqueles que costumava tomar nas tardes de verão, depois de sair de uma sala de cinema acompanhado dos meus irmãos e amigos. Representava a continuação da diversão! Entretenimento de alta qualidade, feito com entusiasmo e competência, esse filme foi direto para a lista dos que pretendo revisitar de quando em quando.           É claro que a primeira isca que mordi foi a sugerida pelo título. O Agente da U.N.C.L.E. era uma série de TV americana que costumava acompanhar com afinco quando criança. Foi ao ar de 1964 a 1968 e depois reprisada à exaustão nos anos 1970. Narrava as aventur

Independence Day: trazendo a fantasia para o mundo real

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Independence Day: direção de Roland Emmerich LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA, DURANTE O FERIADO AMERICANO Para quem vive na Região Sul, como é meu caso, o mês de julho tem as feições do inverno. As temperaturas baixas nos obrigam a tirar do guarda-roupa os casacos mais pesados e as bebidas quentes se tornam as mais apreciadas. Enquanto isso, lá no hemisfério norte, dá-se o oposto: o verão representa a cara das férias e da diversão. É quando a indústria do cinema aproveita para lançar seus filmes arrasa-quarteirão, na certeza de alcançar as maiores bilheterias. Naquele 2 de julho de 1996, a aposta vencedora foi Independence Day , dirigido por Roland Emmerich. Nunca a expressão arrasa-quarteirão – ou blockbuster, como preferem os anglófonos – foi tão bem empregada. Os trailers exibidos à exaustão, mostravam a Casa Branca sendo pulverizada por raios alienígenas e a cidade de Nova Iorque sendo reduzida a escombros, num realismo desconcertante. Durante semanas, não se falou de outra coisa.        

Coração Valente: um patriota clamando por liberdade

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Coração Valente: direção de Mel Gibson A DIFERENÇA ENTRE SER PATRIOTA E SER NACIONALISTA Quando decide escavar a história, para desenterrar enredos com potencial de atrair público pagante, o cinema quase sempre se mete em imprecisões. Os realizadores que escolhem carregar nas tintas e abusar das licenças poéticas, o fazem em nome da preservação do fluxo dramático. Todo cinéfilo se torna caçador desses pequenos deslizes e gosta de examinar os enredos com atenção, para se certificar de que não está sendo enganado. O filme Coração Valente , dirigido em 1995 por Mel Gibson, é uma dessas produções grandiosas, que apresenta personagens e eventos pouco conhecidos – ao menos para nós, brasileiros – e tem potencial de nos deixar intrigados: será que o diretor não exagerou no romance e na narrativa heroica?           Há, porém, um fato inquestionável: nesse segundo filme da carreira como diretor, Mel Gibson esbanjou ousadia e astúcia. Decidiu apostar todas as fichas rodando um épico espetacular,

Covil de Ladrões: thriller de ação com reviravolta no final

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Covil de Ladrões: direção de Christian Gudegast POLICIAIS E BANDIDOS, FICÇÃO E REALIDADE Em termos comerciais, filmes de ação são peças de entretenimento complexas e difíceis. Quando os realizadores celebram a ação pela ação, priorizando a pancadaria pura e simples, o resultado é entediante para o público mais velho e desinteressado por cinema raso. Quando investem num enredo com pano de fundo dramático, para dar densidade à história, afugentam o púbico adolescente – justo a fatia mais lucrativa. A maioria das produções aposta todas as fichas numa determinada faixa etária, na esperança de que ao menos rendam uma pequena franquia, com uma ou duas sequências. Esse é o caso de Covil de Ladrões , filme de 2018 dirigido por Christian Gudegast. O diretor buscou alguma profundidade dramática para os seus personagens, escreveu um roteiro com certa complexidade e investiu numa temática masculina. Alcançou sucesso de bilheteria suficiente para rodar uma sequência.           Covil de Ladrões cont

Entre Facas e Segredos: surpresa no final e ação o tempo todo

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Entre Facas e Segredos: direção de Rian Johnson O ROTEIRO EVITOU AS ARMADILHAS DO GÊNERO Os romances policiais de mistério se tornaram uma febre por décadas, desde que Sir Arthur Conan Doyle emplacou seu Sherlock Holmes. Com o tempo, eles derivaram num tipo muito específico de ficção, onde o autor propõe um quebra-cabeça para estimular o raciocínio do leitor, enquanto o confunde com pistas falsas. Tentar descobrir a identidade do assassino, antes que ela seja revelada nas últimas páginas, tornou-se verdadeiro passatempo para os admiradores desse estilo de romance. Os anglo-saxões chegaram a criar um termo específico para se referir a esse gênero literário: o “whodunnit”, uma corruptela da expressão "Who has done it?" – numa tradução livre, algo como "Quem fez isso?", que ficaria melhor dito como: "Quem é o culpado?"           U m whodunnit que se preze tem que estar confinado a um ambiente restrito – uma mansão, um hotel ou um trem – que represente o micro

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