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Crítica | Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer: um filme para adolescentes ou para os adultos?

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Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer: dirigido por Alfonso Gomez-Rejon UM FILME CRIATIVO E SENSÍVEL Dia desses, zapeando pelos canais da TV por assinatura, tropecei em  Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer , filme de 2015 dirigido por Alfonso Gomez-Rejon. Nunca  ouvira falar sobre o filme, não conhecia o diretor e nem qualquer dos atores envolvidos. Se tivesse lido a sinopse apresentada no guia de programação, certamente mudaria de canal; pensaria se tratar de mais uma comédia  repleta de humor imaturo,  voltada para o público adolescente e explorando a fauna que habita as high schools americanas. Para minha sorte, contudo, nem encostei no controle remoto; apenas deixei a programação fluir e o filme começar. Em poucos minutos estava fisgado. Uma ótima comédia dramática         Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer   foi premiado  no Festival de Sundance em 2015  com o Grande Prêmio do Júri e do Público. É  baseado no roman...

Crítica | Viver Duas Vezes: sobram razões emocionais para assistir

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Viver Duas Vezes: filme dirigido por Maria Ripoll COMO NÃO SE EMOCIONAR COM UM FILME QUE FALA DE ALZHEIMER? Viver Duas Vezes , filme de 2019 dirigido pela espanhola Maria Ripoll, tirou do pedestal este cronista dedicado a escrever críticas e resenhas de filmes. Apertei o play disposto a fazer uma análise compenetrada, para depois desfiar minhas impressões num texto objetivo. Pensei que me manteria frio, concentrado nas técnicas cinematográficas e nos recursos narrativos; avaliaria as atuações e as linhas de diálogo, a fotografia, a trilha sonora... Se assim tivesse feito, passaria pelo filme sem viver a imensa variedade de emoções que o enredo suscita. Mas não! Envolvi-me emocionalmente. Fiquei cego para o cinema que acontecia diante dos seus olhos! Um filme envolvente             – Ora, se é para ignorar o cinema, vá ler um romance sobre o tema – diriam com razão os cinéfilos tecnicamente engajados. Tenho que concordar. Então, só me resta emitir uma ...

Crítica | Coringa: veja como a trilha sonora aumentou a força narrativa nesse filme

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Coringa: filme dirigido por Todd Phillips AQUI, A TRILHA SONORA VIROU O GRANDE DESTAQUE Quando foi lançado em 2019, o filme Coringa , dirigido por Todd Phillips, veio na esteira de um considerável esforço promocional. Tal badalação capturou minha atenção. Há tempos não me entregava às infantilidades das histórias de super-heróis, mas a indicação para onze Óscares e a conquista das duas estatuetas  –  melhor ator para Joaquin Phoenix e trilha sonora para Hildur Gudnadottir  –  vieram como uma intimação para conferir a produção. Cinema bem realizado             Batman era  meu super-herói favorito desde a tenra infância  e o Coringa, um vilão insano e assustador, já era meu velho conhecido. A promessa de ser apresentado a novas camadas da sua personalidade confusa, ainda não exploradas no cinema, trouxe uma empolgação adicional. Paguei para ver e saí satisfeito. O filme contém cinema de verdade! Gosta de analisar os fil...

Crítica | À Beira-Mar: Angelina Jolie escreve, dirige, interpreta e faz o que bem entende, menos cinema relevante!

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À Beira-Mar: filme dirigido por Angelina Jolie ANGELINA JOLIE ROUBA A CENA FINAL, LITERALMENTE Estiloso demais e nada envolvente. Uma promessa de bom entretenimento que não se cumpre. Falo de   À Beira-Mar , filme de 2015 escrito, dirigido e estrelado por Angelina Jolie, que atua aqui ao lado do então marido Brad Pitt. De início, achei que se tratava  de uma obra romântica. Mais adiante, rezei para que ganhasse densidade e feições intimistas, na medida em que revelasse o mundo interno de personagens cada vez mais enigmáticos. Isso não aconteceu. Lá pelas tantas, comecei a bocejar. Atmosfera de sedução           Eis aqui o caso interessante de um filme construído a partir de elementos sólidos, mas que não consegue ganhar consistência. Tem uma bela ambientação, personagens com certo conteúdo e uma trama com potencial para envolver, ao gerar incontáveis oportunidades de fisgar o espectador. A diretora, porém, preferiu criar uma atmosfera de sedução t...

Crítica | Dois Papas: Fernando Meirelles misturou realidade dramatizada com ficção plausível e fez um filme envolvente

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Dois Papas: filme dirigido por Fernando Meirelles PERSONAGENS MIDIÁTICOS E GENTE DE CARNE E OSSO Em Dois Papas , dirigido em 2019 por Fernando Meirelles, há uma cena que considero a mais saborosa: é quando os dois protagonistas estão em pé, numa salinha do Vaticano, dividindo uma deliciosa pizza marguerita! Provavelmente veio direto de alguma pizzaria no entorno da Praça São Pedro, acondicionada numa caixa quadrada; certamente foi preparada com massa de fermentação lenta, com aquele saboroso molho pomodoro, folhas de basílico fresco...   É claro que estou exagerando! Há muito cinema de qualidade nesse filme,  mas resolvi começar a crônica com esse apelo ao mundano, porque é isso que permeia a obra toda. É uma particularidade que precisei investigar para entender. Dois homens de carne e osso           Fernando Meirelles nos brindou com um filme envolvente, repleto de cenas que aparentam banalidade, mas que só fizeram ressaltar o quão ex...

Estamos virando ouvintes desatentos

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QUEM NUNCA ERROU A LETRA DE UMA CANÇÃO, OU ARRISCOU UM INGLÊS FAKE? O rapaz esparramado no assento do ônibus, bocejando de sono a caminho da primeira aula, ajeita os fones de ouvido que o conectam ao celular. Os sons que ele escuta nenhum outro ser humano na face da terra compartilha. Outros podem ter escolhido a mesma canção, mas somente ele decidiu iniciá-la naquele dado instante. Não há sincronismo nem simultaneidade. Não há a necessidade de sintonizar transmissões públicas. Não há razão para se submeter à ditadura do gosto coletivo.           Acostumado a ouvir apenas o que gosta, no momento em que bem entende, o rapaz não se dá conta de que desfruta um privilégio. Houve um tempo em que as oportunidades de ouvir uma canção – qualquer canção – eram raras. Antes das técnicas de gravação, só mesmo nas performances ao vivo, executadas na igreja, nas festas, no teatro ou em salas de concerto. Quantas vezes, ao longo da vida, um sujeito conseguia ouvir uma de...

Inveja acaba com qualquer festa

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DESMASCARANDO OS INVEJOSOS Jamais imaginei que um dia estaria escrevendo sobre a inveja. Eis um tema ao qual nunca dei importância – proteger-me contra os invejosos era desnecessário, pois, na minha ingênua concepção, bastaria ignorá-los para manter suas vibrações danosas fora de alcance. Mudei de ideia quando nossa filha chegou de São Paulo para passar conosco as festas de final de ano.           Seu relato emocionado sobre o desagradável episódio que viveu dois dias antes, durante a festinha de natal da “firma”, nos deixou tensos e preocupados. Ludy e eu não conseguimos falar de outro assunto durante nossas caminhadas e, acreditem, essa conversa vai se estender por muitos quilômetros ainda.           – Que sujeito covarde – repeti diversas vezes enquanto seguíamos a passos apressados pelas ruas do bairro. Ludy, também muito irritada e com a autoridade de quem já conviveu com a inveja no trabalho, reforçou:     ...