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Estrada Sem Lei: a história real de Bonnie e Clyde

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Estrada Sem Lei: filme de  John Lee Hancock NA ERA DO  STREAMING, AS BOAS HISTÓRIAS ESTÃO GANHANDO NOVAS CHANCES Bonnie e Clyde eram bandidos e celebridades. Admirados por multidões, a despeito de terem se tornado assassinos cruéis e sanguinários, também eram pedras nos sapatos da lei. Para capturá-los, dois Texas Rangers do primeiro time foram escalados: Paul Newman e Robert Redford. Bem... ao menos a dupla de astros de Hollywood estava envolvida no projeto do roteirista e produtor John Fusco. Ele trabalhou por anos para concretizar financeiramente essa ideia, mas jamais obteve sucesso. Até que a Netflix entrou na jogada, convocou Kevin Costner e Woody Harrelson e viabilizou Estrada Sem Lei , filme de 2019 dirigido por John Lee Hancock.           Com seus planos abertos e ritmo envolvente, Estrada Sem Lei parece ter sido feito para as telas dos cinemas. Ao mesmo tempo, parece ter sido feito para o streaming: fotografia com temperaturas digitais, linguagem ágil e moderna... O fato é

Bingo: O Rei Das Manhãs: a história real do palhaço Bozo

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Bingo: O Rei das Manhãs: filme dirigido por Daniel Rezende VOCÊ SABE QUE FOI AGARRADO PELO FILME QUANDO FICA ÍNTIMO DO PERSONAGEM Primeiro, vem a ideia para o enredo. Ela normalmente nasce      quando o autor encontra  um personagem expressivo, envolvido com feitos extraordinários – ou que pelo menos sejam surpreendentes para a maioria  dos espectadores. A ideia amadurece e se mostra comercialmente viável. Ganha adesão do diretor, dos produtores, do roteirista... Então, os realizadores começam o trabalho duro: precisam achar o formato certo para contar a história, encaixá-la no gênero certo, tomar decisões narrativas... Quando o filme já está todo pronto na cabeça, começa uma nova via-sacra: obter financiamento, planejar a produção, escolher o elenco, filmar, pós-produzir, editar... Fazer cinema parece uma aventura, mas não é para aventureiros!  Exige investimentos, trabalho em equipe, dedicação e profissionalismo. No Brasil, temos a felicidade de ver nascer alguns filmes de sucesso,

1917: um filme de ação repleto de curiosidades

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1917: filme dirigido por Sam Mendes O TEMPO TODO FICAMOS NA COLA DO PRINCIPAL PERSONAGEM: A CÂMERA! Há tempos li uma entrevista concedida por Stanley Kubrick, onde ele é questionado sobre o motivo pelo qual jamais filmou uma história de sua autoria. De fato, a filmografia do aclamado diretor é composta por obras de vários gêneros, mas todas escritas por terceiros. Kubrick alegou acreditar na beleza e no impacto de se ouvir uma história pela primeira vez.         Sua reposta foi dedicada a mostrar que eram justamente esses dois valores, beleza e impacto, que tentava passar aos espectadores. Para tanto, precisava ele mesmo vivenciá-los antes de assumir seu papel de contador de histórias. Segundo o diretor, durante o processo de construir uma história partindo do zero, tendo que aparar arestas e solucionar a trama, o encanto inicial acaba se quebrando. Por isso preferia filmar histórias cuja magia da primeira leitura ainda carregasse viva na memória.         Talvez essa tenha sido apena

Jojo Rabbit: roteiro digno do Óscar

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Jojo Rabbit: filme dirigido por Taika Waititi UM DRAMA COM PERSONAGENS MARCANTES E UM SABOROSO TEMPERO DE HUMOR Outro dia, Ludy e eu assistimos ao filme Jojo Rabbit . Minha mulher não tinha opinião formada – não fora contaminada pelo falatório em torno desse filme, vencedor do Óscar de melhor roteiro. Quanto a mim, bombardeado pelos palpites dos cinéfilos nas redes sociais, esperava assistir a uma comédia engajada nas causas antinacionalistas, feita para destilar ironia ácida sobre o nazismo atroz e ultramilitarizante que robotizou a juventude alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Estava enganado. Assisti a um drama sensível e criativo, com fortíssimo tempero de humor aqui e ali. Um filme que conta uma história consistente e focada em personagens cativantes.         Depois do filme me perguntei:         – Mas por que raios continuo me empanturrando nesse banquete de críticas e resenhas especializadas que infestam os sites de cinema? – Às vezes, parece que só servem para incutir pré-

O Oficial e o Espião: o caso real de Dreyfus narrado como um thriller

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O Oficial e o Espião: filme dirigido por Roman Polanski ROMAN POLANSKI NOS LEMBRA COMO SE FAZ CINEMA DE VERDADE Acomodados no sofá, controle remoto nas mãos, Ludy e eu vasculhamos o serviço de streaming à cata de algo que valha a pena. Tarefa exaustiva, essa. Examina-se as capas dos filmes, lê-se as sinopses sintéticas e quase sempre mal redigidas, procura-se por mais informações no celular... Enquanto isso, o tempo passa e a impaciência aumenta. Mas ontem, a busca terminou de repente. Ludy até se espantou quando gritei:         – Uau! Esse é o último filme do Polanski! Vai ser esse e pronto!         Ludy não questionou meu arroubo autoritário. Ela também aprecia o talento do diretor. Clicamos no play e em instantes estávamos assistindo a um dos melhores filmes do ano: O Oficial e o Espião . É cinema de alta qualidade, como não se vê com frequência. Realizado com requinte e competência por um dos mais brilhantes diretores da história do cinema.         Bem, talvez o meu entusiasmo não

Busca Implacável: o ator Liam Neeson faz a diferença num filme de ação

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Busca Implacável: filme dirigido por Pierre Morel UM PRODUTO HONESTO, QUE CUMPRE A PROMESSA DE BOM ENTRETENIMENTO O que há de cativante no filme  Busca Implacável ? Ele foi dirigido por Pierre Morel em 2008 e contabilizou enorme sucesso. A história de um pai feroz, lutando para resgatar a filha das mãos de traficantes de mulheres, oferece oportunidades dramáticas para construir várias cenas de ação e suspense. Luc Besson e Robert Mark Kamen souberam aproveitá-las: escreveram um excelente roteiro, objetivo, simples e eficiente. Mas talvez o grande trunfo seja mesmo o ator Liam Nesson, que emprestou seu nome e reputação em troca do ingresso num nicho de mercado bastante lucrativo.        Perseguições a pé e de carro, socos e pontapés, tiros, facadas, explosões, mortes… Muitas mortes! Não há surpresas em Busca Implacável e talvez seja essa a razão para que ele seja tão cativante. O espectador prepara seu balde de pipoca, abre a garrafa de refrigerante, aperta o play e por uma hora e mei

Bastardos Inglórios: Quentin Tarantino subverte a verdade em favor do bom cinema

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Bastardos Inglórios: filme de Quentin Tarantino UMA TRILHA SONORA REPLETA DE BOAS SURPRESAS Ludy detesta filmes violentos e não compartilha meu gosto por thrillers de guerra. Quando decido revisitar um desses filmes pela enésima vez, minha mulher se lembra que tem mais o que fazer e sai da sala. Prefere me deixar sozinho, exercendo minha obsessão de cinéfilo esmiuçador. Entre os filmes que faço questão de rever de vez em quando está Bastardos Inglórios , de 2009, escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Tenho vários motivos para fazê-lo, mas hoje quero falar da trilha sonora que o diretor escolheu.           Ninguém consegue ficar impassível diante de  Bastardos Inglórios . É amá-lo ou odiá-lo! O senso de humor peculiar, a preferência pelas cenas violentas retratadas com requintes gráficos, a precisão dos diálogos conduzindo a narrativa afiada e ritmada... Tarantino é único. Mas confesso que o filme me pegou logo na cena inicial. Para ilustrar meu ponto, deixe-me tentar descr

Eu Sou a Lenda: um filme que diz muito em época de pandemia

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Eu Sou a Lenda: filme dirigido por Francis Lawrence RUAS DESERTAS, SILÊNCIO PERTURBADOR, O VENTO SOPRANDO... ACHO QUE JÁ VI ESSE FILME! Assim que surgiu a pandemia do Covid19, Ludy e eu nos trancafiamos no apartamento por duas semanas. O governo do estado impôs um confinamento draconiano, que julgamos excessivo, mas como não vimos necessidade de sair – consigo atender meus clientes a partir do home office e minha mulher está aposentada – preferimos ficar espiando o desenrolar dos acontecimentos pela televisão. No começo, ficamos preocupados com nossas mães já idosas, com nossa filha morando sozinha na cidade de São Paulo, com a necessidade de ir ao supermercado, com as aglomerações... Mas depois, como qualquer cinéfilo que se preza, relaxei e resolvi assistir aos filmes e séries na TV. Decidi me alienar!           Ah, o verbo alienar! Como ele é cruel quando usado para rotular os cinéfilos. Nos faz parecer fúteis, desligados do mundo,  hipnotizados por uma espécie de feitiço audiovisua

Onde os Fracos Não Têm Vez: no final, os irmãos Coen conseguem surpreender

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Onde os Fracos Não Têm Vez: direção de Ethan e Joel Coen HÁ ALGO QUE VOCÊ JAMAIS ENXERGARÁ NESSE FILME Há toneladas de críticas, resenhas, especulações e até dossiês completos na internet sobre o  filme  Onde os Fracos Não Têm Vez , dirigido em 2007 pelos irmãos Coen. Não estamos falando de um mero filme de sucesso. Trata-se de um verdadeiro objeto de culto, que reúne adoradores e detratores das mais variadas facções. Confesso que relutei antes de escrever uma crônica sobre esse filme. Não queria ser repetitivo, nem cair no lugar comum, então decidi comentar sobre aquilo que pode ter passado despercebido pela maioria dos espectadores.         Na hora de avaliar a qualidade de um filme, as pessoas costumam examinar certos parâmetros: desempenho dos atores, qualidade da fotografia, pertinência da trilha sonora, cuidados com a produção, realismo dos efeitos visuais... Porém, na saída do cinema, a soma das notas dadas a cada critério não consegue fechar a conta! E a razão é simples: de na

Guerra Mundial Z: é "Z" de Zumbi mas tem muito "A" de ação!

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Guerra Mundial Z: filme dirigido por Marc Forster BASTAM DEZ SEGUNDOS PARA O VIRUS INFECTAR E POUCAS CENAS PARA CAPTURAR SUA ATENÇÃO Resolvi comentar aqui na Crônica de Cinema sobre o filme Guerra Mundial Z , uma produção americana de 2013 estrelada por Brad Pitt. – Ora, mas é um filme de zumbis! – reclamariam aqueles mais interessados em ler sobre produções autorais e edificantes. Confesso que relutei em assistir a esse filme. Zumbis sempre foram repugnantes e deveriam ficar restritos aos trash movies. Mas, depois que embarquei no enredo que ele descreve, adorei a experiência!           Em Guerra Mundial Z os zumbis são produto de um vírus desconhecido, que se alastra com rapidez assombrosa – em apenas dez segundos a vítima se transforma em um voraz transmissor da doença, cujo único propósito é disseminar o vírus. A velocidade e o sentido de urgência assumem o comando do filme logo nas primeiras cenas e somos conduzidos assim até o final, num ritmo impecável.

Parasita: um drama grotesco, que vai da comédia à tragédia

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Parasita: filme dirigido porBong Joon-Ho RICOS E POBRES, ESPERTOS E OTÁRIOS, COMÉDIA E SUSPENSE... O FOCO É NO  DUALISMO ORIENTAL  Há tempos não acompanhava a festa do Oscar, mas em 2020 a curiosidade foi maior que o meu desprezo pelo desfile das celebridades. Na disputa havia um filme sul-coreano feito com uma mistura de vários gêneros, um filme de guerra encenado como uma ópera, num palco gigantesco e em tempo real, um filme de super-heróis onde só o vilão aparece, um filme onde Hitler e o nazismo são abordados em tom de comédia, um filme cujo título faz merchandising para duas marcas da indústria automobilística, um filme dirigido por um brasileiro falando sobre um Papa argentino... Entre cochilos, vi a premiação transcorrer como sempre: surpresas aqui e ali, barbadas confirmadas e estatuetas distribuídas a rodo entre todos os setores da indústria do cinema. O grande vitorioso foi o filme Parasita , dirigido em 2019 por Bong Joon-ho e o resultado forneceu munição para uma saraiva