Crítica | O Resgate do Soldado Ryan: conheça os truques usados por Spielberg para obter realismo
O Resgate do Soldado Ryan: filme de Steven Spielberg

O Resgate do Soldado Ryan: Steven Spielberg mudou o modo como os filmes de guerra são feitos

O Resgate do Soldado Ryan: além de realismo, intensidade dramática
UMA EXPERIÊNCIA IMERSIVA
O Resgate do Soldado Ryan, dirigido em 1998 por Steven Spielberg, foi o primeiro filme hollywoodiano sobre a Segunda Guerra Mundial a abandonar a versão asséptica do front de batalha. Seus primeiros 25 minutos iniciais exibem de forma gráfica toda a carnificina que aconteceu durante o desembarque dos aliados na Normandia, no dia 6 de junho de 1944. O diretor colocou seus cinegrafistas correndo na praia, enquanto se esquivavam de explosões e tiros verossímeis, com as câmeras nos ombros, tentando capturar as ações improvisadas de atores atordoados. Tamanho realismo mudou para sempre o modo como os filmes de guerra são feitos; transportou o espectador para a praia de Omaha e o fez experimentar a experiência física de estar em combate.Realismo surpreendente
A palheta de cores contratadas e não saturadas, o sangue respingado nas lentes das câmeras, as armas e os uniformes autênticos, o design de som elaborado em detalhes... Além desses, Spielberg empregou outros truques inéditos para simular a linguagem documental: para que os atores compreendessem a lógica das operações, filmou todas as cenas de batalha na ordem cronológica estabelecida no roteiro; submeteu seu elenco a seis dias de treinamento militar, onde aprenderam o manuseio das armas e a se comportar como soldados de verdade; contou com a consultoria de militares experientes e veteranos de combate da Segunda Guerra; e trouxe cerca de 750 integrantes do Exército Irlandês para os sets de filmagem. Foi assim que nos colocou na praia de Omaha em pleno dia D, de olhos arregalados e a respiração ofegante.
O Resgate do Soldado Ryan: Steven Spielberg mudou o modo como os filmes de guerra são feitos
Um grave dilema moral
O realismo das cenas iniciais causa grande comoção, mas não redunda em uma abordagem puramente documental; ao contrário, O Resgate do Soldado Ryan irradia uma intensidade dramática poderosa, porque conta uma história centrada num dilema moral: quando três irmãos morrem em batalhas diferentes, os militares americanos decidem que o quarto irmão, que ainda está vivo, será devolvido para sua mãe. Oito soldados são destacados para localizá-lo e resgatá-lo em pleno front; oito homens que também têm famílias, que certamente se envolverão em combates contra os nazistas e que correrão o risco morrer. E lá se vão, comandados pelo Capitão Miller (Tom Hanks), pelo interior da França ocupada em busca do soldado cujo nome dá título ao filme. O que começa como uma missão fútil e sem sentido, transforma-se numa questão de honra; oferece aos homens a oportunidade de recobrar alguma dignidade como soldados.Um roteiro bem costurado
A história que acompanhamos em O Resgate do Soldado Ryan foi criada e roteirizada por Robert Rodat, inspirado por acontecimentos reais registrados durante a guerra civil americana. O roteirista (ele também escreveu o roteiro de O Patriota) desenvolveu os personagens e os meteu em episódios da Segunda Guerra Mundial, mas sem se comprometer com a precisão histórica. Seguiu uma narrativa simples e linear, mas soube criar muitas oportunidades para que os atores trabalhassem as várias camadas psicológicas dos seus personagens. Seu roteiro acabou caindo nas mãos do ator Tom Hanks, que se entusiasmou com o projeto e depois convenceu Spielberg a dirigir.
O Resgate do Soldado Ryan: além de realismo, intensidade dramática
Qualidade técnicas evidentes
Os cuidados com a produção foram obsessivos. Veículos, tanques, blindados, uniformes, armas, botas... Tudo foi especialmente fabricado para ser fidedigno. Os efeitos especiais, os cenários, a grande quantidade de figurantes e sua movimentação em cena exigiram muita coordenação e precisão técnica. A fotografia, concebida e dirigida por Janusz Kamiński, trouxe grande realismo para o filme, ao resgatar os tons, as luzes e a atmosfera pesada das cenas que nos acostumamos a ver nos documentários sobre a Segunda Guerra Mundial.Estatuetas no Oscar
Dizer que se trata de uma experiência imersiva não é exagero. O Resgate do Soldado Ryan é um drama de guerra intenso e emocionante, com algumas das melhores cenas de batalha já executadas em toda a história do cinema. No Óscar, o filme rendeu a Steven Spielberg a estatueta de melhor diretor e a Janusz Kaminski a de melhor fotografia. Também levou os prêmios de melhor edição, melhor edição de som e melhor mixagem de som. Se você quer mais dicas de bons filmes como esse, encontrará nos artigos exclusivos que publico semanalmente na minha newsletter. Para recebê-la gratuitamente por e-mail, basta se juntar à comunidade da Crônica de Cinema. Inscreva-se grátis clicando aqui!Veredito da crônica de cinema
★★★★★(5 / 5 estrelas)
O que brilha: a direção segura de Steven Spielberg, o roteiro preciso de Robert Rodat, a atuação magnética de Tom Hanks, o design de produção, a fotografia impecável e o design de som imersivo.
O que surpreende: o realismo com que Spielberg recriou o desembarque no Dia D é notável e impôs um novo padrão estético para os filmes de guerra. Por outro lado, a intensidade dramática que o diretor conseguiu foi o que mais elevou a qualidade da obra.
Imperdível. É cinema de alta qualidade.
Ficha técnica do filme O Resgate do Soldado Ryan
Título original: Saving Private RyanData de produção: 1998
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Robert Rodat
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Robert Rodat
Elenco:
- Tom Hanks
- Edward Burns
- Tom Sizemore
- Matt Damon
- Jeremy Davies
- Adam Goldberg
- Barry Pepper
- Giovanni Ribisi
- Leland Orser
- Vin Diesel
- Ted Danson
- Paul Giamatti
- Dennis Farina
- Harve Presnell
- Nathan Fillion

Essa sua crônica me fez lembrar este filme maravilhoso tão vívidamente q trouxe lágrimas aos meus olhos. Amo as suas crônicas!
ResponderExcluirSou muito grato pelo seu comentário. É um estímulo importante para seguir escrevendo! Valeu!
ResponderExcluirComentário feito com muita sobriedade e conhecimento. Parabéns.
ResponderExcluirQue venham mais.
Muito obrigado!!! Viva o cinema!
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